<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273</id><updated>2011-07-28T13:48:13.203-03:00</updated><title type='text'>extra-ordinário</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>48</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-7537576678103226915</id><published>2010-06-17T21:53:00.000-03:00</published><updated>2010-06-17T21:54:26.886-03:00</updated><title type='text'>Rec-onhecimento</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Era quase manhã de quinta-feira no momento em que despertei esquisito, com o corpo xadrez, dividindo-me em partes minúsculas. Foi depois de uma noite fria, aquecido por uma manta enrolando o corpo mais pesado que de costume. Pressão. Do dia anterior, do sangue preso pela coberta e os quilos e da dormida no sofá. &lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-7537576678103226915?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/7537576678103226915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=7537576678103226915&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7537576678103226915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7537576678103226915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2010/06/rec-onhecimento.html' title='Rec-onhecimento'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-6706424010244958841</id><published>2009-12-09T11:15:00.000-03:00</published><updated>2009-12-09T11:16:14.285-03:00</updated><title type='text'>Maníacos, parlamentares e humoristas: qual a graça?</title><content type='html'>Apenas acompanhando o noticiário por uns dias, sem reportar nada a qualquer e essa noite pela primeira vez meu sonho fez um movimento pendular. Estava na redação de um jornal vivendo a mesma dinâmica louca que me fez dar um tempo no ofício. Entre regras e edições que mostram o recorte da realidade mais interessante para os menos alvissareiros – mais lembrados como chefes. Levanto sonâmbulo e antes das cinco estava num hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um gânglio crescido na nuca, por trás da orelha fez a primeira médica suspeitar de rubéola. Hemograma para verificar a presença do vírus e nada confirmado. O número de leucócitos estava em mais de seis mil e o de plaquetas em 234 mil por milímetro cúbico. Aparentemente normal em número e aspecto, resumia o exame. “Faça compressas de água gelada”, recomendou a segunda plantonista, antes de me liberar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem o incômodo pela infecção maldita me tirou o sono. E os vídeos noturnos aumentaram a dor de cabeça. Recebi o endereço de um amigo dos mais chegados e resolvi abrir, mesmo vendo o aviso sobre a inadequação para menores de 18 anos e que o Google dizia não endossar o conteúdo do blog. Apertei seguro no “estou ciente e quero continuar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Automutilação, anomalias, acidentes, estupro, tortura, decapitação e dor são alguns dos tópicos da página que explica: a palavra tragédia tornou-se uma aplicação costumeira para designar um acontecimento doloroso, catastrófico, acompanhado de muitas vítimas, ou ainda para descrever o desenlace de uma paixão qualquer que redundou num horrível assassinato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em assassinatos, a gravação de uma série deles foi a menos densa que vi. Mostrava três jovens de cerca de 20 anos que matavam suas vítimas como barras de ferro, martelo e outros objetos pesados. Os maníacos cometiam crimes com requintes de crueldade e registravam tudo de um celular. Na cidade de &lt;a name="OLE_LINK2"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a name="OLE_LINK1"&gt;Dnepropetrovsk&lt;/a&gt;, na Ucrânia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei que fosse montagem, mas uma pesquisa rápida pela web mostrou que não. Pensei em mudar pra outro tipo de crime, que já não me chocasse tanto e parei no twitter, na postagem do deputado Henrique Eduardo Alves dizendo: ocupei a tribuna, há pouco, para expressar minha indignação e revolta pela divulgação de um vídeo com uma denúncia torpe e absurda! Uma calúnia, uma montagem, feita por sujeitos desqualificados, não pode encontrar guarida na mídia do meu país!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parlamentar falava da denúncia mostrada pela grande mídia de que ele, por suposto, recebia propina no mensalão do Distrito Federal que já vai muito além do DEM. O também nesse caso inclui quem está na cadeira que o deputado postula no próximo ano, o presidente da Câmara, Michel Temer, igualmente do PMDB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique diz que é tudo uma armação do ex-operador da Bolsa de Valores de São Paulo, Alcyr Collaço, denunciado por haver cometido operações suspeitas, investigadas pela CPI do Correios em 2005 e que teve prisão decretada, ficou foragido e depois o mandado foi revogado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante dizer que tudo isso pode mudar. O site sair do ar a partir do pedido de internautas ao hospedeiro maior e os parlamentares que sutilmente se fazem eleger, fiquem inelegíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é dia internacional contra a corrupção, instituído pela Convenção das Nações Unidas desde 2003. Data que faz lembrar o poder de mobilização da sociedade. Agora, se você está realmente muito cansado, veja pelo You Tube o vídeo da Mhel Marrer. É super divertido e até a dor de cabeça se torna passageira. Pena que o que é bom, e, paradoxalmente, imaginário - dure pouco mais de quatro minutos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-6706424010244958841?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/6706424010244958841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=6706424010244958841&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/6706424010244958841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/6706424010244958841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/12/maniacos-parlamentares-e-humoristas.html' title='Maníacos, parlamentares e humoristas: qual a graça?'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-1324910059163104951</id><published>2009-10-10T12:16:00.003-03:00</published><updated>2009-11-24T10:31:16.481-03:00</updated><title type='text'>É de se combinar</title><content type='html'>&lt;p&gt;Naquele rosto havia um mistério que me devorava as unhas mandíbulas nervosas. Algumas coisas eu confesso, outras não. Como esse é um território livre, devo dizer que me causa uma angústia visceral não conseguir interpretar gestos. Um pequeno intervalo observado vira um abismo, como se o tempo tivesse escala semelhante às taxas da economia chinesa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você bem sabe que sou expansivo, exagerado, ainda que não tenha tocado aquele projeto de artes cênicas, iniciado ainda quando começava os estudos pra ser jornalista. Mesmo com a interrupção, aprendi a vocalizar bem o que digo e ter asas ao invés de braços.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Movimentos contidos geralmente são mais difíceis. O minimalismo é uma experiência ainda um tanto desconhecida por mim. Por isso aquele descontrole, desculpe. É que na hora, de quando em vez não consigo entender que o seu clímax pode ser bem diferente da minha pressa. Mas, mesmo que me atirem uma pedra, pergunto: quem nunca errou?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tenho uma amiga que fica louca na condição de expectante. Come chocolate – mesmo sabendo que não adianta e invariavelmente em meio a essa crise estará fazendo regime– e até vai sozinha ao cinema. Vendo alguém tão desacompanhado num ambiente que está passando de cultura a entretenimento, com direito a acréscimo de manteiga na pipoca e ruído na sala, eu normalmente acho que é loucura.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um que eu julgava mais inquieto disse outro dia que tem recorrido ao shiatsu, florais de Bach e levanta bem cedo pra correr na praia. Quando nos falamos, ele lamentou o próprio estado de nervos, mas argumentando que a culpa era do caráter de urgência de uma decisão: aceitar o não um novo trabalho, tendo de mudar de cidade.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje cedo falei com um terceiro, questionando sobre o que fazia quando não há nada além de espera. Ele me recebeu dizendo que o feriado iria bombar, já que era prontamente recebido como uma pergunta dessas. Pra aliviar, dependendo do caso, vale comer doce, dançar ou fazer qualquer outra atividade com o corpo, como musculação ou bater uma punheta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro amigo tem o mesmo gosto musical que eu, ultimamente se demora mais com meus cds e compartilha um mesmo pensamento. Não há regras. Não adianta tentar conter bichos como a ansiedade. Eles correm soltos e nunca conseguimos bem ver a cara, só um vulto intempestivo. A gente até identifica a presença por causa do ritmo mais acelerado e o subir e descer de borboletas pela boca do estômago, mas interromper é impossível.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Minha angústia está passando. Dentro desse último mês o único que fiz foi tentar mudar em mim um aspecto que nada tem a ver com aquele movimento idiossincrático que você costuma questionar. Estou revendo minhas vozes de comando. Elas são tão perturbadoras quanto clichês. E essas repetições – percebi nada mais começar a escrever - estão passando a capturar os meus textos. Realmente devo ser apedrejado.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acho que até a publicidade já cansou do modo imperativo, dando conta que ele vira jargão e passa a ser transparente. Volto a dizer que, a despeito do tempo, nem sempre vai ser possível reconhecer teu olhar. Estou me analisando e tentando reinventar. O meu olhar é de rabo de lagartixa. Portanto, que tal continuarmos aquela idéia de tentar transformar expectativa em combinação?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-1324910059163104951?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/1324910059163104951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=1324910059163104951&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/1324910059163104951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/1324910059163104951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/10/e-de-se-combinar.html' title='É de se combinar'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-2248264340514019863</id><published>2009-07-14T18:29:00.003-03:00</published><updated>2009-11-24T10:23:09.534-03:00</updated><title type='text'>Voltei a ser criança</title><content type='html'>Quando se é responsável por algo é que surgem claramente as idéias de zelo e determinação. E isso geralmente só acontece depois dos vinte. Foi com mais ou menos essa idade que escorei sonhos em outra casa, distante da dos meus pais. Tornei-me responsável por ela e, pela primeira vez, por mim, que estava lá dentro sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era de aprender a ouvir. Entender outros vocábulos, como dor e fragilidade. Falar é fácil, eu sei, e mais meia leva de gente motivada pela máxima. É algo que sai, por vezes de tão automaticamente que também é quase uma verdade absoluta a ausência de resposta para a pergunta de agora: quem nunca se arrependeu do que disse num impulso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brhaaagtheeiiiihhriiiiiist! (Consegue pronunciar?) Esse é um dos sons que minha sobrinha de três meses costuma soltar com uma cara tão amassada num semblante roxo que sempre acho que vai cair no choro. Mas é só uma reclamação. A estrutura, dizem os cientistas, é completa. Certamente ela transforma pensamentos em idéias e sons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi utilizando a ressonância magnética funcional que acadêmicos da Escola de Medicina David Geffen, da Universidade da Califórnia, chegaram à conclusão que o lado esquerdo do cérebro exerce o papel principal no processamento da memória da maioria das funções da linguagem, praticamente desde o nascimento. Essa descoberta já tem mais de quinze anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando parecer crescido e razoável, deixo de dizer muita coisa. O ato de fechar a boca pode ser considerado estratégia dos incautos como eu. A velocidade com que as pessoas se comunicam é que me deixa assim, de quando em vez desapercebido e com vontade de parecer vegetado em um algodoeiro. Pensando em escrever absurdez para sentir emancipado feito o Manoel de Barros, que age assim justificando que a absurdez é que faz causa para a poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na natureza, seria uma imperfeição de dar graça. Mas aquilo, o caminho de areia parecido de uma minhoca não combinava com o piso frio da sala. Na hora de afastar a mesa e desfazer com uma vassoura, veio o movimento brusco. E o primeiro grito, e uma carreira em direção ao quarto e mais um som: aaahgthaaaaeiiiiithaaaaa! Desde pequeno não sofria de topada no dedão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-2248264340514019863?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/2248264340514019863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=2248264340514019863&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/2248264340514019863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/2248264340514019863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/07/hoje-voltei-ser-crianca.html' title='Voltei a ser criança'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-8336645894204390074</id><published>2009-06-16T17:03:00.003-03:00</published><updated>2009-06-16T17:20:08.958-03:00</updated><title type='text'>Hoje eu vou-me embora</title><content type='html'>Como essa é uma carta de despedidas, vou saborear até sorver todo o ar do quarto e asfixiar os poucos desejos que ainda guardo. Começo falando de mim, do princípio. De quando eu entrei aqui sem arrastar correntes. Sem carregar o fardo da trouxa das desilusões. Vinha apenas com uma camisa puída na gola e com dois furos no peito. De um passado bem resolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não peço atenção ao falar. Sei que você para pra me ouvir. Aproveitar de uma voz mais experiente, mais calejada de histórias que só deram certo por algum tempo. Pois sabendo desse teu desprendimento, dedico uma última música. Opened once, do Jeff Buckley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ambiente em que estou há meia luz. Não é a mesma das noites de lua e mais quase nada. Mas é mais segura. Sinto-me confortável na minha casa, vendo as paredes com pouca cor, o banheiro com duas coisas de cada e o baú onde está guardado um edredom de tafetá para os dias de romance e chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu digo que me sinto bem, não se apresse como de costume, e vá achando que eu me esqueci de tudo. É que estou feliz com minha decisão de fazer isso, custe o tempo e as mazelas que causar. Faço confiante porque já me conheço e sei que minha memória seletiva só arquiva o que é preciso, pra não me encher a cabeça de idiossincrasias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das lembranças, inclusive, não tenho a de ter sido por sequer um dia grosseiro com alguém que já mereceu minha estima. Sem medos, digo que te tratei com muito zelo, inclusive mais do que deveria. Com carinho até. Poderia recordar do meu polegar brincando na comissura dos teus lábios. Mas se hoje me arrependo desses excessos é pelo arbitrário jogo provocado para medir forças que debelaras enquanto eu continuei a te querer com disciplinados exercícios de oratória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que, contudo, você ainda jogará a responsabilidade do fim sobre minhas costas, com todo o peso que minha escoliose não suporta. O que não sei é se merecerei mais uma vez sua lágrimas, mas eu, fatalista que sou, prefiro acreditar no acaso. Não quero te punir com o poder de rusgas quase conjugais. Prefiro que se lembre de mim com a mesma doçura que havia na sua meia-voz quando pedia pra que eu te pegasse por trás com mais força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que já usei esse texto em outra ocasião, mas aquilo que eu fazia era cena. Fui sincero apenas em alguns momentos, mais delicados, como quando introduzia meu dedo indicador bem de mansinho pela beirada de sua peça íntima, tocando os glúteos. Quando eu te beijava também era muito verdadeiro. E nos momentos em que me deixava ser içado como se me submeter a todos os perigos fosse uma espécie de redenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos nossos cafés agora só resta o pó. Umedecido. Entorpecido. Parece que te vejo me fitando de olhos esbugalhados enquanto eu falo as maiores infâmias só pra impressionar. E você, jovem demais, sem conseguir dizer nada com os hiatos da gagueira. Mesmo tento aproveitado muito bem, sua juventude me cansou em alguns momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito tempo deixei de acreditar que a gente dá e não espera nada em troca. Você me deu muito, é verdade. Encheu-me de coisas das quais nunca precisei. Não queria conhecer teus pais, nem ir ao casamento do teu irmão, nem tampouco ter de viajar não sei quantos quilômetros pra isso. Não era assim que eu iria acreditar que o que você falava do alto dos seus 21 anos era verdade. Precisava de outras garantias. Eu sempre acreditei no nosso sexo e nos nossos sorrisos sincronizados. Mas era isso contra o todo o resto. E no fim eu percebi que a equação era desigual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você ainda vai encontrar tantas outras assim. E, mesmo sem que me peças, digo: não te desesperes. Os conflitos mais interessantes são como os dos Madrigais Privados de Eugenio Montale. Ele teve seu nome posto pelo ser amado em uma árvore e em retribuição batizou um incêndio na floresta com o nome dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto a dizer que essa é uma carta de despedidas e, portanto respondo as últimas perguntas que me fez para aniquilar, desde já, qualquer motivo para outra conversa. Farei sem me apegar aos teus compromissos familiares, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi sim tua mensagem, perguntando se eu queria ficar com você pra valer. Recebi também a que revelava que por causa da ausência de resposta você estava desistindo, concordando comigo, dizendo que eu venci. E a que mais tarde, durante a madrugada, pretendia me acordar, quem sabe pra tentar remediar o que foi dito num impulso juvenil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li tudo. Tudo depois de eu ter dado um basta nessa situação e lhe comunicado de tal gesto. Consegui isso graças a teus reflexos, tuas ironias, teus descasos. Obrigado pelos momentos bons, por me ajudar a esquecê-los e adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Texto feito ondas quebrando em rochas, num ir e vir com mais força. Tirei daqui tempos atrás e agora publico novamente por me parecer a lua descabida. E as palavras leves demais.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-8336645894204390074?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/8336645894204390074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=8336645894204390074&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/8336645894204390074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/8336645894204390074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/06/hoje-eu-vou-me-embora.html' title='Hoje eu vou-me embora'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-1150280177407448360</id><published>2009-06-15T18:02:00.003-03:00</published><updated>2009-06-15T18:10:02.555-03:00</updated><title type='text'>Uma negativa</title><content type='html'>Muita coisa mudou. Os olhos são de um cinza quase branco. O que havia de pigmentação negra também saiu de outras partes do corpo. Estão com o mesmo acinzentado. Dentes amarelados e espaços cada vez mais amplos entre eles. De quando em vez devora as refeições. Noutras nem trisca. São os anos que escoram irregularidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem bem se sustentava quando o compramos. Eu era bastante jovem e tinha a mesma falta de criatividade de hoje. Gostava de nomes simples, mas terminei por aceitar a sugestão do meu irmão caçula. Ele assistia e sonhava com personagens de seriados. Jaspion, Jiraya, Power Rangers. Foi de um deles que saiu Jephy, que nem sabíamos a forma graficamente correta, mas assim parecia ser - como deveria - mais internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui eu quem aguentou as noites de quase miados e se manteve vigilante, afastando os gatos matreiros circulantes do quarteirão. Desde Xuxa que o quintal estava espaçoso e crescia grama. De início a gente nem parou pra pensar que poodle é diferente de pastor alemão. Só percebemos dois meses depois, quando aconteceu da primeira noite do outro lado da porta. Ninguém conseguiu dormir. Os latidos já tinham mais força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendemos a dirigir cedo. Eu e minha irmã, com cerca de dez anos cada. Na praia, com limites longínquos. Havia de ser fácil essa leveza de não enxergar canteiro qualquer. A cidade não demorou a chamar e foi da vez que a gente começou a julgar que em casa quem mandava era nossa mãe. Vão perguntar a ela se pode, era o máximo que meu pai dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jephy chegou por último, começou a interagir com o espaço e as pessoas de uma maneira estranha e terminou por achar justamente o contrário. Colou nele, que sempre foi quem manteve toda a estrutura funcionando. Era o único que trabalhava e nos dava abrigo e comida. Dezesseis anos depois e os dois vivem juntos. Dormem, tomam café, almoçam, jantam, vão à praia e alguns eventos sociais. São fiéis a tal ponto que a velhice do outro parece preocupar ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haver vivenciado três pares de separações é que me fez preferir plantas. Elas soam num evocar de rede de balanço dependendo da intensidade do vento. Caso não deseje o bocejo, é só fechar as janelas. Abafar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em apartamentos conta ponto a praticidade. É fácil cuidar de plantas, especialmente quando são compradas em um viveiro, como todas as recomendações de como proceder, e para afastar qualquer dúvida, mantém-se placas como tudo detalhado. Quantidades em mililitros versus dias da semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No aniversário do ano passado foi que entrou uma que não tinha sido selecionada. Regalo de uma amiga. Veio num vaso vermelho do tamanho de uma laranja. Média, ainda mais. Pensei que fosse morrer. E foi sem esperanças que transplantei para uma acomodação maior. Como em outras, água duas vezes por semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso convívio era morno até que a pus no hall de entrada. Lá de fora, parece vociferar. Água não quer mais beber. Em vão insisto agora só aos sábados. É o tempo de virar pra cuidar da vizinha e logo o chão está todo molhado.  Começo a achar que pode lhe estar inundando uma carência de conversa. É um diagnóstico ouvido na televisão tempos atrás. O mesmo aparelho que fica quase sempre desligado, contribuindo com as ausências do recinto, como se recomenda fazer nos hospitais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-1150280177407448360?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/1150280177407448360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=1150280177407448360&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/1150280177407448360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/1150280177407448360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/06/uma-negativa.html' title='Uma negativa'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-4867399517193358594</id><published>2009-06-11T22:26:00.001-03:00</published><updated>2009-06-11T22:28:06.824-03:00</updated><title type='text'>Separação de estréia</title><content type='html'>Meus pais têm uma diferença de onze anos. Estão juntos há três décadas. Tempo desses numa novela tinha um casal sendo alvo. As idades ainda mais distantes. As pessoas falavam. Das telas logo passou para o jornal e, por osmose, para as ruas. Virou a polêmica. Pra mim, algo demasiadamente natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante três dias passava pela porta de escola sem entrar. Só de uma que tive de ir até a portaria e voltar. Do outro lado da rua era que meu pai parava o carro. Não tinha sentido dar a volta e depois precisar contornar pra pegar o rumo do escritório. Naquela manhã o semáforo não abriu logo que atravessei as duas vias. Foi obrigado a usar a tática do fingir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha irmã chegava junto, mas era mais fácil de despistar. Bastava parar num carrinho de balas que ocupava parte do asfalto e atrapalhava a entrada de veículos e comprar dez xibius. Cada uma custava dez centavos, valendo toda a aquisição, portanto, um real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cena era necessária porque cumpria suspensão. Penalidade aplicada a um desordeiro que não teve a oportunidade de explicar que a manga que levava na mão na hora do intervalo não tinha sido derrubada do pé, senão apanhada do chão. Com Padre Prata valia o ditado “contra fato não existe argumento”. Fui visto carregando a fruta. Ponto. Tinha feito sem autorização. Ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devia ser o escape dele, que não podia ocupar suas lacunas de outra forma. A culpa era dos votos, mas ele punha em quem queria. As mangueiras despertavam um tipo de ciúme especial. Eram quatro. Frondosas e de sombras largas. Bancos faziam ciranda e viviam cheios de adolescentes e meninos ainda mais jovens, sem poder namorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ensino religioso a pragmática é essa. Dois sexos não se encontram nas classes de educação física nem a qualquer outra hora em lugar algum. Por isso que bem cedo se aprende a ser clandestino. Lembro de uma garota que ficou falada pelos corredores porque transou com o namorado na escada de um hotel fora da cidade, onde acontecia uma competição desportiva. E de outra que engravidou e foi expulsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha menos de quinze. Achava umas meninas interessantes. Namorei três no intervalo de meia dúzia de anos. Essa não era a média. Alguns companheiros de sala nem tiveram a chance. Dedilhavam em pensamento. Durante a maior parte do tempo ficávamos contemplativos. Aquilo não era desejo sexual nem sequer por descoberta. As regras num lugar como aquele serviam para ser quebradas. E ficar, além de um desafio, era um termo novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De maneira renitente questionava o que se passava com elas. Não demonstravam qualquer inquietação com a montanha de imposições. Falando em regras, quase todas já tinham passado pela primeira vez. Algumas lá mesmo. A gente sabia quando acontecia no banheiro da escola. A amiga mais velha era acionada e levava o absorvente. Praxe. E a informação sempre vazava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A natureza feminina faz apontar seios mais cedo. O estirão dos garotos acontece cerca de dois anos depois. Comprovado cientificamente. E esse espaço gera um abismo quando se é jovem. O melhor era espiar as meninas fartas, de 17, que achavam graça. Só agora, perto dos 30, percebo com quem gostam de deitar e que, de fato, são muito mais discretas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-4867399517193358594?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/4867399517193358594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=4867399517193358594&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/4867399517193358594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/4867399517193358594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/06/separacao-de-estreia.html' title='Separação de estréia'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-5400000771317970493</id><published>2009-06-09T15:16:00.000-03:00</published><updated>2009-06-09T15:21:41.068-03:00</updated><title type='text'>Três dias depois</title><content type='html'>Foi pra me encabular. Numa sexta-feira disse que era a vez que aceitaria com honras meu pedido de afastamento. Ainda que não entendera qual o novo ou mesmo motivo. E levasse até a segunda para se reprogramar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choro baixinho. Três rapazes tocavam a uma distância de três mesas, seis pessoas e doze ouvidos atentos àquela conversa. Alvoroço dentro do estômago. Quase como se fizesse a empada de camarão voltar pelo gargalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois travestis passavam pela rua chamando menos atenção. Sacudidelas nervosas de cabeça. Nós éramos o centro. Entornava a quarta cerveja quando lhe vi terminar o primeiro e derradeiro café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em caso de um desastre seria encontrada na minha caixa-preta uma informação que nunca reneguei. Momentos assim pedem que nas veias corra algo mais espalhado. Traga mais um trago, disse.  Nem sempre a ficha precisa cair em um local público. O luto vivo dentro de casa, onde ninguém me alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi. Digressões sem nenhum ar de espontaneidade.  Era bom de fugir. Assunto recorrente e vão. Em pouco tempo as palavras perderiam força, tiraria o telefone, num impulso faria a proposta e acordaria enrolado em nada, roçando e mordendo tuas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa dinâmica foi gasta por incertezas, conversas que levavam no máximo a uma semana de desejos separados. Vocabulário gasto. Paciência gasta. Amor que desgasta o corpo e deixa meus pensamentos colados num travesseiro morno até o meio-dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peleja assim é a tal palavra que rima com dor, acreditam os poetas. E como a dor, termina. Só que o tempo é impreciso. Deixa ao longe a informação do preço que se paga no final, momento mais sofrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho pelo menos o direito de numa próxima pedir antes um orçamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feche a conta, por favor!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-5400000771317970493?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/5400000771317970493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=5400000771317970493&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5400000771317970493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5400000771317970493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/06/tres-dias-depois.html' title='Três dias depois'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-5998805201440138392</id><published>2009-06-08T23:27:00.000-03:00</published><updated>2009-06-08T23:31:40.249-03:00</updated><title type='text'>Um amor para Cidinha</title><content type='html'>Distrito de Curralinho, município de São José do Egito, interior de Pernambuco, Nordeste do Brasil. Terra de muitos conflitos. A começar por uma ciumeira causada pela predileção pelo santo de nome comum por aquelas bandas. A capelinha em homenagem foi erguida e destruída umas tantas vezes até que os fazendeiros de lá de perto terminaram por desistir de São Pedro. Aleluia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espaço do padroeiro fica à beira do Rio Pajeú. Aquele mesmo que vai despejar no São Francisco, que vai bater no meio do mar, laiá. Com água boa, como toda que descansa no semi-árido, ali dá vontade de entardecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da fazenda até as costas da capela Cidinha andava mais de meia légua. Saia depois do almoço e chegava na hora que o sol quase se punha. Foi num dia qualquer que deu de cara o com aprendiz de peão da maior propriedade de Riacho do Meio, Oswaldo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O moleque tinha 14 e pico comprovados na certidão e mais em nenhum documento. Talvez tirasse se um dia quisesse votar. Ela tinha dois anos mais e uma aparência cansada. De fazer o mesmo trajeto para ver o avermelhado do céu daquele ângulo, de ser sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a primeira chance dele. Ainda vivia a fase de descoberta, de aprender a controlar o corpo, de sentir. Precisava desviar o olhar pra não ser tão apressado. Ninguém visitava aquele lugar que instantes depois ficaria sem luz, com insetos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aproveitando um momento de distração que meteu pela primeira vez. Sem reclamações, não demorou a gozar. Isso se repetiu por meses até que repentinamente Cidinha desapareceu. Circulou na redondeza que a fazenda de Zé Alcides tinha perdido sua melhor vaca leiteira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-5998805201440138392?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/5998805201440138392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=5998805201440138392&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5998805201440138392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5998805201440138392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/06/um-amor-para-cidinha.html' title='Um amor para Cidinha'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-7612050757528450294</id><published>2009-06-08T08:33:00.003-03:00</published><updated>2009-06-08T23:33:47.127-03:00</updated><title type='text'>O incompreendido</title><content type='html'>Manhã de domingo. Quase madrugada. O ponteiro menor acaba de alcançar o seis. Estou na cama, do lado direito que é o meu. Dormi outra vez, penso imediatamente. Devia ter saído pra uma balada dessas para garotos perdidos. Agora é tarde. Ou, cedo demais. Que foda! Poderia ficar inerte até que o resto da cidade acorde. Do lado de fora há sol. Paisagem muito diferente da dos últimos dias. Posso aproveitar e caminhar na praia. Mas só encontraria a turma da terceira idade e bêbados. Rolo até a ponta esquerda. Está fria e isso me agrada. Meu peito pela primeira vez sentia um frescor decente. Jogo a perna por cima de um travesseiro solto. Um, dois, três movimentos e me sinto saciado. Paro, espero. Cinco minutos e a sensação térmica é outra e me afunda uma angústia sem freio. O telefone está ao lado. Três chamadas perdidas. Devia mesmo estar muito cansado. Esperar causa exaustão. Nenhuma das que eu atenderia. Ainda são seis e quarto. Preciso soltar esse aparelho e levantar pra desligar outros. A luminária está acesa e o som marca no visor digital o número 16. Posso memorizar e usar pra o dia em que resolva começar a fazer apostas. Talvez não seja esse meu número de sorte. Lembrei: é um álbum antigo do Emílio Santiago que escondo numa caixa, longe da estante onde ficam meus preferidos. Que foda! Definitivamente os jogos de azar não são pra mim. Fecho os olhos. Revivo que dias atrás grudou a coxa no meu pau pra comprovar o quanto o deixa duro. Volto ao estado só de pensar no depois. Eu por cima, sua coluna em curva sinuosa, as pernas bem afastadas e a boca apertando no lençol amarrotado. Vontade de ligar fazendo o convite. Mas o que digo primeiro? Caí da cama? Pensei em você a noite inteira? Sei que ainda é cedo... Discando. Que foda! Ainda nem sei como começar. Chamando. Chamando. Claro que não atenderia. Não se liga antes das sete pra ninguém. Nem que se tenha intimidade por demais. Preciso aprender a trabalhar melhor essa ansiedade. Apertar os dentes e conseguir conter um ataque de claustrofobia. Essa é minha meta. Faz mais de uma hora que estou acordado. Será que os velhinhos me achariam esnobe se fosse correr na praia? Falta ânimo até pra levantar. Nem sempre se faz apenas o que se quer, diria minha mãe. O espelho podia mentir de quando em vez. Escovo os dentes na esperança de que algo melhore. Nada. Lavo o rosto. Também não adianta. Música. Preciso desenvolver atividades. Dentro de casa é difícil ser criativo. Sem saída, lavar a louça de ontem. Jantar cretino aquele que passei uma hora na condição de expectante e tive de comer o pene limão mais ácido do que qualquer piada com moral tipo: se colhe o que planta! Foi rápido. Melhor limpar o sofá da varada. E mudar o disco. Regar as plantas. São nove. Uma eu tive de pôr pra fora. Estava doente e os remédios não faziam efeito. Que foda! Ainda está no hall do elevador de serviço. Três rodelas de abacaxi. Lembro do desjejum juntos. Quiçá sinta saudade da minha boca, do meu pescoço, das minhas torradas. Hora do banho. Será que ponho uma sunga depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo só vem acontecendo desde que tentei explicar que preciso de mais atenção. Daqui a pouco completa uma semana a espera por resposta. Estou como um náufrago. Mas com a certeza de que no próximo sábado à noite estarei longe daqui. E no início da semana abafarei todos esses silêncios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-7612050757528450294?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/7612050757528450294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=7612050757528450294&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7612050757528450294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7612050757528450294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/06/o-incompreendido.html' title='O incompreendido'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-5781854851166469956</id><published>2009-05-05T20:06:00.005-03:00</published><updated>2009-05-06T00:19:33.699-03:00</updated><title type='text'>Corrida úmida</title><content type='html'>Já não sei se é melhor que chova ou dias de sol. Nos pontos de ônibus as pessoas parecem tentar escapar de um naufrágio. Depois de um mês de férias parece que havia esquecido o que é o trânsito de uma cidade. Pior é saber que não existe nenhum lapso. Passei por ruas movimentadas e vi carros parados no horizonte semaforizado enquanto caminhava por outras calçadas. Mas elas não era iguais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo parece caótico. Procuro compensações. Conto o tempo por músicas. Troco a pressa por canções. No meu carro levo um álbum de Jussara Silveira, Teresa Cristina e Rita Ribeiro. São Três meninas do Brasil. Tudo ao vivo, sem o tempo métrico das gravadoras. Da quinta faixa do álbum – de onde prefiro começar a ouvir – até a décima são quase quinze minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais quinze, só que anos atrás, eu conseguia sair de casa, em Candelária, e chegar ao Salesiano, na Ribeira, no mesmo quarto de hora. Naquela época ouvíamos no rádio o noticiário da manhã. Não sei quanto isso dá de tempo em poesia, mas a coisa variava de treze até dezoito minutos. Dependia de quão espaçados estavam os pensamentos do meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca foi bom contador. Parecia querer ser, tanto que não sei quantas vezes ouvi causos da construção do canal do Baldo e da utilização das águas do Potengi. Eu via mais interesse nos olhos que nas palavras dele. Eram contemplativos, assustados e coniventes com as transformações. Só que não podiam sonorizar. E também por isso temos memórias diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com minha irmã havia discussão todas as manhãs. Disputávamos o espaço no banco da frente, numa época em que o cinto de segurança incomodava minha coluna e amassava a farda. Era, portanto, dispensável. Aquele local não tinha importância apenas por dar pra ver correr o olhar do meu pai sobre as ruas já cada vez menos esvaziadas, mas pra perceber os momentos em que havia mais risco, nas paragens, quando, sem palavras, sabia que ele encontrara algo novo naquele trajeto diário. Nesse momento sentia o limite dos meus dedos no freio de mão. Já conhecia sua serventia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela mulher de lenço no cabelo e cigarro queimando por fora do vidro estava assim desprotegida no início do dia, pouco depois das sete. Foi o que me fez lembrar o caminho até a escola. Distração como a do meu pai não se aceita num congestionamento em quase zona de conurbação. Rejeito a idéia, acelero e deixo o ruído dos pingos abafar por completo meu desejo tão disparatado que não tenho condição de dar-lhe forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã é melhor encarar como um sortilégio poder contar quilômetros em sons. A distância percorrida até o trabalho talvez não seja um terço da dos tempos de estudante, mas me ocupa a mesma calma do relógio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado de fora as pessoas também mudaram. Faces puídas e quase-roupas. Na minha sala de aula, as meninas já vestiam calças. Mas nas horas de lazer levavam trajes de avós: meias até os joelhos, saias, blusas com mangas compridas e gola alta. Era uma moda diferente. Agora até mesmo esperando o transporte público elas mostram brilhos, fendas. Algumas aceitam transar na vertical. Sexo anal, oral, sem compromisso, sem culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar que tudo isso pode ser por causa da pressa. Do tempo no asfalto, gasto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-5781854851166469956?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/5781854851166469956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=5781854851166469956&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5781854851166469956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5781854851166469956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/05/corrida-umida.html' title='Corrida úmida'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-7865751384550076753</id><published>2009-04-08T23:12:00.001-03:00</published><updated>2009-04-08T23:24:45.706-03:00</updated><title type='text'>Traje passeio</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Rfj43QRLUew/Sd1cQCw-XBI/AAAAAAAAAA0/bFI2nx92HWI/s1600-h/mariana.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Rfj43QRLUew/Sd1cQCw-XBI/AAAAAAAAAA0/bFI2nx92HWI/s320/mariana.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322511765311740946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos levar na mochila um calção de banho. Quem sabe q gente não encontra um lugar pra mergulhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Imagine se algum de nós terá coragem com esse frio que faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem programada com tanta ansiedade seria tão curta quanto o diálogo esmiuçado e a essa altura já estava pela metade. Depois de juntar uns cacarecos fomos a caminho da setecentista Ouro Preto. Na estrada, janelas abertas e uma rala névoa por cima do verde do lado de fora. A cidade encravada num vale tem uma forte carga de energia humana em suas ladeira e igrejas. Em frente a uma delas fiz um pedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele parece ter sido atendido por todo o caminho. Por entre os mirantes, do alto das montanhas que, nada mais subir, descem vertiginosamente. Por entre as montanhas, de onde menos se espera, surgem destemidas cachoeiras. À margem dos rios, os povoados se formaram na época áurea do pó dourado – quando ele ainda era considerado um divisor de águas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi em Mariana que conheci Jaqueline. A única comerciante do distrito de Cachoeira do Brumado. Ela era a salvação daquela idéia de não ter posto a sunga dentro da bolsa. Depois de encontrar a queda d´água pensei em me livrar daquele jeans frouxo e entrar apenas de trajes sumários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que mais uma vez o mínimo de bom senso que me resta foi responsável por me fazer correr a chave do carro e sair em busca de uma loja no centro. Antes de encontrar a direção confesso que quase desisti. Mas como não se pode deixar tudo nas mãos dos santos, tive eu de me esforçar e tentar redimir a falha grotesca daquela manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas três paradas para pedir informação. Numa ruela igual às outras quatro encontrei uma janela de onde se avistava pouco mais de dez cabides pendurados. Era o único comércio da região. Uma tela verde impedia a entrada de insetos. Minha voz conseguia passar por ela, mas não foi suficiente para competir com o alto volume da televisão ligada perto dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vi campainha e arrisquei perguntar a vizinha, que disse: Jaqueline está na escola fazendo a comida pra o baile na praça. A escola estava situada na esquina. De dentro da cozinha, onde os quitutes estavam sendo preparados, arranquei a moça pelo braço e, juntos, saímos pela rua principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As peças eram tão cavadas quanto os biquínis asa delta usados nos anos 1980. Escolhi então um calção de listras azuis, verdes brancas e muitas outras cores. Como não havia provador e eu e a comerciante a tal altura já tínhamos muita intimidade, fui vestir no quarto onde dormia com seu marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou o espaço tinha sido monopolizado por ele ou ela era torcedora fanática do Cruzeiro e gostava de colecionar fotos de mulher pelada. As paredes estavam cheias dessas manifestações de auto-afirmação de adolescentes. Enfim, estranhei estar ali, mas a roupa me caiu muito bem. Tinha comprimento até os joelhos. Peguei outra do mesmo tamanho e levei. Duas bermudas, R$ 20,00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentindo o movimento dentro da casa-loja, a filha de Jaqueline pulou no sofá. Curiosa que só ela, ouviu nossa conversa, mas tinha há pouco sido incapaz de atender aos meus gritos desesperados. Exercitei a paciência lhe oferecendo uma carona até o centro de artesanato, ao lado da cachoeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A água que caía de uns dez metros de altura estava tão gelada quanto a cerveja servida numa palhoça à beira. Foi uma tarde e tanto. No banho, todos os momentos foram registrados. Vão ficar impressos no papel fotográfico e nos arcabouços da minha memória, na pasta dos momentos mais felizes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-7865751384550076753?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/7865751384550076753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=7865751384550076753&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7865751384550076753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7865751384550076753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/04/traje-passeio.html' title='Traje passeio'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Rfj43QRLUew/Sd1cQCw-XBI/AAAAAAAAAA0/bFI2nx92HWI/s72-c/mariana.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-8483127717215258934</id><published>2009-04-06T16:49:00.002-03:00</published><updated>2009-04-06T16:53:46.534-03:00</updated><title type='text'>Minha oferta</title><content type='html'>Aquela situação era tão ruim quanto imutável. Você sabia antes mesmo de ouvir, mas da minha boca não saiu apenas uma confirmação. São palavras de um homem resignado que aceitou arcar com o ônus da desconfiança indesejada na tentativa de varrer dali uma montanha de detritos. Um homem que quer viver sem expectativas, com combinações. E sabe que pode ser feliz assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não precisava trocar a roupa da cama, molhada e lavada de tristeza. Por leveza, restava apenas perfumar a casa, ouvir as músicas que só eu sei que são nossas e diluir o tom ora amargo da poesia, lembrando de quando quebrou o condicionador de ar e o calor te fez dormir livre, com roncos, requebros e meneios harmoniosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é novidade que eu só repouse depois, que te veja da forma mais desprotegida. Mas por uma noite deixei de lado minha metade contemplativa e fui só movimento. Começo cheirando suas orelhas e fungo o cangote, ainda apalpando as costas. De bruços, seu corpo deixa evidente o par de covas que parece sustentar a coluna. Ali, dedico mais tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mão desce um pouco mais, acaricia as coxas e no meio delas parece querer enfiar o dedo. Sinto a pele lisa, ignorando o atrito. Há apenas mansas curvaturas e meu desejo naquele quarto com pouca luz. E esse é o cenário ideal das minhas promessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adormeço também embriagado, festejando a inobjetividade dos gestos para redescobrir o caminho já escolhido tempos atrás. Ao passar das sete o despertador soa. Ainda não recobrei meu estado de consciência, parece que apaguei de vez e me assusto com um beijo de despedida e solto um sorriso de canto, malemolente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje acordei brisa. Mesmo com o sangue ainda espalhado dos tragos de ontem. E além de palavras dedicadas te ofereço um punhado de mar pra falar sobre importâncias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-8483127717215258934?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/8483127717215258934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=8483127717215258934&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/8483127717215258934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/8483127717215258934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/04/minha-oferta.html' title='Minha oferta'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-8183387951375645714</id><published>2009-01-30T10:44:00.002-03:00</published><updated>2009-04-06T16:52:05.740-03:00</updated><title type='text'>Remediado está</title><content type='html'>Deveria ter seguido a carreira artística. De quando em vez tenho uma inclinação curiosa de estar na pele de outra pessoa. De sentir o que eu não consigo quase sempre sendo o mesmo menino franzino da minha infância. E nos últimos tempos mais especialmente de poder saber como é viver uma terceira pessoa, uma afronta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui outro em qualquer relação. Bate um desconforto crer que poderia enlouquecer como já vi se passar. Dizem os mais cultos que as máximas empobrecem os textos. Mas algumas de tão certeiras não podem ser substituídas facilmente. Dois é bom, três é demais. Esse é um dos melhores ditos. Difícil é controlar os impulsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de mim há duas forças. E não falo aqui literariamente de uma metade lisa e outra crespa. Ou de conceitos baseados na filosofia e na metafísica da cultua chinesa como yin e yang. É uma proposta muito mais visceral. De ser carne e sentimento em um só corpo, ou de uma maneira mais poética, como já disse Caetano, a dor e a delícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impossível prever quando se será o causador da discórdia. Por isso acho que todas as pessoas entram despreparadas, sem ter tido a oportunidade de passar por algumas sessões de análise pra saber até que ponto ir e como se comportar diante do novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fora, a pior situação sempre parece a de quem passa a ser menos solicitado e que comumente fica se sugestionando o que teria feito de errado, o que já é um grande equívoco. Como defende Lacan, o nosso desejo encontra sentido no desejo do outro. Faz parte da teoria dos espelhos. Nos final da contas somos todos narcísicos, buscando nos reconhecer nos olhos de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma amiga arregala os olhos de tal forma que parece que eles vão pular da caixa. É assim a cada tilintar de taças ou tulipas. Calculando os movimentos friamente parece que se está participando de uma película de terror. Só se torna mais sutil porque o gesto recorrente acontece entre amigos e tem querer no meio. Sempre brindo e a perdôo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos trajetos da minha memória nunca valeu desviar o olhar. Por outras paragens há reflexos. Nos lagos. No mar. E encontrar-se parece fácil. O sonho oceânico da poesia de Zila Mamede arrasta. Mas não acredito por qualquer regra intrínseca nas leis da nação. É que realmente parece que esse é o ponto crítico e que delimita o adoecer da relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho a sorte de já ter conhecido o amor e vivo de paixões encontradas no meio de alguns terrenos. Neles existe muito campo pra seguir apressadamente e árvores, mas no meio da correria, invariavelmente, esses espaços viram descampados. Acontece de uma forma muito rápida. Basta uma noite sem adormecer sentido o cheiro guardado na nuca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paixões são covardes feito a maioria de nós. E tentadoras como muitas situações. Basta viver pra se complicar. Digo isso vendo minhas prateleiras internas de sentimentos escalonados. Guardados de quem insiste em seguir vivendo, vivendo e não aprendendo. E que tem a calma apertada dos que acreditam que, mesmo já tendo a experiência e não querendo repetir, pode acontecer outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já é tarde. Apesar de meu relógio biológico ter perdido a noção, um na parede lembra que passa das duas da madrugada. É hora de deslanchar uma plêiade de teorias e lembrar que no descanso noturno dá pra se fugir da dor da dissolução. O cansaço agora é o maior algoz. Vou dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-8183387951375645714?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/8183387951375645714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=8183387951375645714&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/8183387951375645714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/8183387951375645714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/01/remediado-esta.html' title='Remediado está'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-6023710805614536116</id><published>2009-01-21T13:16:00.001-03:00</published><updated>2009-01-21T20:30:05.992-03:00</updated><title type='text'>Seguir</title><content type='html'>Os números pares me parecem mais confiáveis. Se não for assim sempre um fica isolado ou divide as contas só pra complicar. Talvez essa teoria tenha algum reflexo no penar de ficar só. Gosto de grupo, de bando, só que devidamente equilibrado.&lt;br /&gt;Isso pode até já ter virado um transtorno na minha rotina. Quem ainda não conhece essa mania, de quando em vez ri ou comenta sobre minha aflição ao ver o volume da TV em um número ímpar.&lt;br /&gt;Em outras fases já foi pior. Cheguei a contar o número de discos, de livros, a cutelaria e mais um par de coisas. Morar sozinho e ter tantas tranqueiras e cômodos pra enfiá-las me fez relaxar um pouco, mas continuo sem pisar no rejunte do piso. Assim, sigo andando de quadrado em quadrado.&lt;br /&gt;Das esquisitices guardo ainda a de colocar as almofadas enfileiradas no sofá. A casa pode estar de ponta cabeça, mas o colorido delas sempre obedece a mesma sequência.  Outras são momentâneas, afortunadamente.&lt;br /&gt;Faltava pouco para o verão ser oficialmente deflagrado no calendário. Onde vivo faz sol durante quase todo o ano e, logo, ir à praia em janeiro, maio ou novembro dá igual. O ano estava acabando. Entrei no carro numa terça-feira pela manhã em direção a um recanto mais tranquilo do litoral.&lt;br /&gt;Coqueirais, parada, pés descalços, passos. Nova parada, encantamento, reflexão e volto a andar. Pouca gente com tempo livre no meio da semana feito eu. Na minha casa não gosto de nada que um dia já abrigou vida. Conchas e afins não passam da porta. Mais um cacuete. Mas naquele dia havia muitas pedras no chão. Pequenas rochas iluminadas pela luz da manhã.&lt;br /&gt;Ser pedra, como já disse o Manoel de Barros, possui vantagens. Elas irritam o silêncio dos insetos e são batidas de luar nas solitudes. Acredito também nos simbolismos originários das pedras, no ar de contemplação que carregam.&lt;br /&gt;Podem ser chutadas pelos menos sensíveis ou escolhidas a dedo. Naquele dia eu, que tinha algumas pelo caminho, acariciei, lavei com zelo em água salgada e carreguei comigo. Guardei-as no carro até hoje. 26 no total, entre bancas, amarelas e algumas quase rosadas.&lt;br /&gt;Aquele era um dia de despedidas. O último passeio à beira mar antes da chegada do verão. Era também o momento de me livrar de alguns percalços. Obstáculos que deveriam ser simplesmente contornados, mas que pelo fascínio que provocaram foram encarados, destruíram minha segurança e ajudaram a construir um novo ponto de vista.&lt;br /&gt;Não preciso de manias bobas além das que já tenho sem conseguir me livrar de vez. E, definitivamente, essas pedras podem ser encontradas por outros que, assim como eu, devem marcar a hora da descoberta com um ponto final. Sem reticências, o hoje é mais feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-6023710805614536116?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/6023710805614536116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=6023710805614536116&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/6023710805614536116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/6023710805614536116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/01/seguir.html' title='Seguir'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-7948951815542407749</id><published>2009-01-17T16:30:00.002-03:00</published><updated>2009-01-18T23:32:56.766-03:00</updated><title type='text'>Pra ser interessante</title><content type='html'>Precisa acordar brisa, com a languidez de um corpo em curvas. E ter porto em meus braços de acarinhar pensamento durante os dias nublados. É também de sorrir de um canto ao outro, sem preocupações durante pelo menos os primeiros cinco minutos da manhã.&lt;br /&gt;Precisa usar chinelos e ter cuidado com os pés. Gostar de experimentar banhos, harmonizando sais, som e luz. Há que se saber cozinhar ou então ter coragem de comandar caçarolas para um jantar combinado. E agir sem quaisquer pudores.&lt;br /&gt;Basta ter um número de telefone e, entre tantas tecnologias, se satisfazer com uma máquina fotográfica. É preciso ainda saber dançar, escolher almofadas e plantas, dobrar guardanapos, fazer surpresa e guardar segredo.&lt;br /&gt;Tem que entender de algum tipo de bebida. Ensinar sobre como escolher antes do primeiro trago, brindar mirando no olho e rir quando o sangue estiver mais espalhado pelo álcool. Mas é preciso ter conhecimento que entorpecer-se é uma forma de fugir da realidade. Então, é prudente que tenha uma dose de sensatez.&lt;br /&gt;Precisa saber levar sobreiros. Usar bloqueador para o sol e repelente nos momentos de acampamento. Tentar ser lícito é uma boa, assim como, durante um passeio, nadar até a beira da praia e voltar ofegante.  Ainda é necessário ser complacente em lábios e ter urgência de tato e paladar.&lt;br /&gt;Para ser, de quando em vez se faz urgente sorver inutilidades e gostar de ser pedra para conseguir contemplar o movimento alvissareiro das formigas. Ter humor, peito largo e caixas para guardar reminiscências também conta ponto. Mas, sobretudo, precisa ter um ar exibicionista ao se espreguiçar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-7948951815542407749?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/7948951815542407749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=7948951815542407749&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7948951815542407749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7948951815542407749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/01/pra-ser-interessante.html' title='Pra ser interessante'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-5568557786326256877</id><published>2009-01-16T01:14:00.002-03:00</published><updated>2009-01-16T20:13:20.249-03:00</updated><title type='text'>Gente carente e assaltantes, por favor, longe de mim</title><content type='html'>Havia tempos que queria ter uma bicicleta. Depois da experiência quando ainda era adolescente tive uma segunda vez já com cabelos brancos. Os fios é que apareceram cedo. Tenho 26 anos de idade e eles já tomam quase metade da minha cabeça. Mas a despeito do que possam parecer depois de tomar emprestada por alguns meses a bike de uma amiga, tomei gosto e resolvi comprar uma.&lt;br /&gt;Percorri um par de lojas, liguei para um amigo que pratica corrida de aventura e entende do riscado, pedi orientação, me assustei com os valores, com a formação de cartel que os vendedores justificam dizendo que o preço é tabelado pelos fabricantes e por fim escolhi a minha. Uma Merida, preta, com 24 marchas e aro 21, ideal pro meu tamanho, já que a altura do meu cavalo é 89,5 centímetros.&lt;br /&gt;No instante em que estava na loja conheci quatro pessoas que pedalam pela cidade, fazem trilha em dias que acordam fora de estrada e saem sempre em grupo. Todas elas se apresentaram, conversaram, pediram meu telefone – e eu dei – e me ligaram em menos de 24 horas pra convidar para algum passeio.&lt;br /&gt;Agradeci e neguei todos os convites. Em geral as pessoas que pedalam me parecem muito carentes. Não tenho falta de amigos e gosto de bancar o sedentário em uma mesa de bar, dividindo cervejas com os mais chegados. Logo, não sirvo para ser atleta e tampouco tenho a disposição de pedalar todos os dias. &lt;br /&gt;Minha bunda ficou toda dolorida depois da primeira hora em cima dela. No dia seguinte foi ainda pior. Ainda bem que inventaram uma tecnologia fantástica que é a de acolchoar as bermudas com espuma feita para roupa de astronauta. Essa, em minha opinião, só perde para a invenção do chuveiro elétrico e, claro, o controle remoto. &lt;br /&gt; Passei a andar em dias intercalados. De quando em vez com um ou dois amigos. Noutras sozinho, ouvindo silêncios ou alguma seleção musical com fones de ouvido. Bons momentos.&lt;br /&gt;Passava das oito da noite quando resolvi largar o penúltimo capítulo da novela pela metade para das umas voltas. O percurso era menor que o habitual pelo nobre motivo do encontro pouco mais de uma hora depois num boteco. Saí de casa com todos os equipamentos de segurança, água, o Ipod, telefone e um molho de chaves.&lt;br /&gt;O vento batia forte no meu rosto no momento em que descia uma avenida larga. Vinha pelo acostamento. Os carros que esperavam o semáforo passaram por mim. Peguei embalo. Isso em ajudaria numa subida logo adiante. Concentração.  Quando levantei a cabeça havia um homem encapuzado descendo um morro, vindo em minha direção.&lt;br /&gt;De cara tomei um susto. Não pela arma na mão, mas pela primeira vez tive medo de uma máscara de carnaval. Era tipo um lobisomem, só que com um revólver apontado pra mim. E aos gritos. Logo chegou outro folião pra curtir comigo. Ele mandou e eu obedeci. Desci da bike e lhe estendi. Questionei quando pediu a bolsa. Mas só tem água e as chaves de casa, retruquei. Tire a mochila e vire!&lt;br /&gt;0004-2009-00332. Esse é o número do boletim de ocorrência que fiz depois do episódio. Mais uma vez não vai dar em nada. Na hora nem viatura havia na delegacia mais próxima. E por aquelas bandas, perto do Parque de Natal, como disse o policial que me atendeu: a coisa ta feia. Bandido atira mesmo.&lt;br /&gt;Voltei pra casa com o vento batendo no rosto entristecido. E pensando no conselho que minha mãe me dá e que, seguro, recebeu da sua. Hoje, discordo. Antes mal acompanhado do que só. Com ciclistas obcecados em aumentar o grupo eu só ia ter de tomar um açaí no final da noite e fazer ouvidos mocos ou terapeutizar os mais aflitos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-5568557786326256877?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/5568557786326256877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=5568557786326256877&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5568557786326256877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5568557786326256877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/01/gente-carente-e-assaltantes-por-favor.html' title='Gente carente e assaltantes, por favor, longe de mim'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-6119635677810335813</id><published>2009-01-13T20:23:00.000-03:00</published><updated>2009-01-13T20:25:10.023-03:00</updated><title type='text'>Um rapaz da moda</title><content type='html'>Dava pra ver pela arrumação do loft que não havia preocupação em dispor de objetos. Aquele era um refúgio de relações afetivas amistosas. Encontros fugazes e tórridos que quase sempre não tinham seqüência. Tão espaçados quanto a manutenção do gás da geladeira que sempre abrigava refeições ligeiras com o prazo de validade expirado.&lt;br /&gt;As paredes eram quase sem cor. Precisavam de uma tinta. As janelas viviam fechadas, assim como a varanda com portas corrediças de vidro. A luz entrava, mas o vento não. E a poeira se alojava por sobre os móveis comprados em uma loja de segunda mão.&lt;br /&gt;Eu vivia dentro desse espaço sem conviver bem com espelhos. Tinha apenas um dentro do apartamento. E ainda assim nós nos comportávamos como Calistenes e Alexandre, o Grande. Tudo seguia bem até que meu lado conquistador emergiu e cismou em querer ser divino. E a filosofia, que nada tem a ver com o reflexo da realidade, não poderia ser submetida a tão tolo capricho.&lt;br /&gt;Era uma época de muitas mudanças. Eu queria conquistar uma garota que quando deslumbrava a rua com um sorriso, por aquela janela, o espírito anunciava a total imortalidade da sua beleza. Ela resplandecia uma luz hiperbórea e eu tinha a amoralidade do suor como desgaste. Eu era calor e preferia tato. E ela, brilho.&lt;br /&gt;O dia começava bem cedo e tinha horas marcadas. Rotina de gente moderna, que era vista e ouvida em vários lugares. Pagava um preço alto por isso. Sentia ansiedade e repetia o discurso social de aceleração das máquinas, dinamismo. Foi assim até conhecer a dona do sorriso mais cortante do bairro e descobrir que minha onipresença me fazia ausente de mim mesmo.&lt;br /&gt;Meu desejo preferia os anacronismos. Parecia não se preocupar muito com o andar, mas jogava o quadril repetindo movimentos que teriam sido milimetricamente ensaiados. Parecia também não se preocupar com a maneia de vestir, mas certamente aquela estética desordenada custava horas de produção. Difícil entender essa colcha de retalhos. Ora trivial, ora desconexa.&lt;br /&gt;Só queria uma aproximação. Não pediria que dividisse comigo sua eternidade. Minha pele mundana tinha urgência de nudez e de possibilidades. E para conseguir estender-lhe a mão, construí com meu reflexo uma trama de anatomias inconfessadas. A despeito de múltiplos obstáculos, fingindo ter coerência, imitei para ser aceito.&lt;br /&gt;Casaco cool de estilo aviador feito com materiais orgânicos ficando por cima da camiseta com fibra de bambu. Cabelo desgrenhado, calça skinny e botas rasteiras de camurça verde, como as do Peter Pan, usadas sem meia. Vestido dessa forma vi que ser contemporâneo é mesmo instigante.&lt;br /&gt;Foi numa festa nosso encontro por mim premeditado. Ela me olhou, mas não me viu. Parecia ter dificuldades em escolher entre tantas da mesma opção. Eu estava igualzinho aos outros caras. Ali, era como uma massa de trota salgada. Sem histórias, experiências. Sem um diferencial. Tão entediante que não acrescentava nada.&lt;br /&gt;O retorno ao meu território aconteceu antes de virar abóbora em público. Naquele espaço de relações furtivas, tirei a roupa, deitei na cama e acordei desse sonho ainda excitado. No som, em modo repeat, ecoavam versos da nona faixa do álbum déjà-vu, do Metrô. Letra de Evaldo Gouvêa e Jair Amorim. “Um rapaz da moda eu vou ser pra ver se ela gosta de mim...”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-6119635677810335813?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/6119635677810335813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=6119635677810335813&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/6119635677810335813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/6119635677810335813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/01/um-rapaz-da-moda.html' title='Um rapaz da moda'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-1777490121198144026</id><published>2009-01-02T13:42:00.001-03:00</published><updated>2009-01-02T22:52:34.829-03:00</updated><title type='text'>Em oito minutos</title><content type='html'>Já tive umas das melhores transas da minha vida. Sou capaz de engolir sanduíche e batata frita com a ajuda de um refrigerante se estiver atrasado pra o trabalho. Torço pra sair do banco.  Danço duas músicas debaixo do chuveiro. Consigo prepara quatro tapiocas ou dois miojos. Decido ir à praia, visto uma sunga e saio. Posso viver intensamente e lembrar isso pelo resto da vida. Acredito que é tempo suficiente para se virar o jogo. E, afortunadamente, em 2009 terei oito minutos a mais.&lt;br /&gt;Para a noite de reveillon alguns cuidados. Cueca cor-de-rosa,  sementes de uva guardadas, porco como prato principal da ceia – fuça pra frente e garante armários cheios o ano todo -, chinelo de couro branco com dinheiro preso na sola por uma fita adesiva pra começar o ano pisando na grana. Bom, ao menos os orientais dizem que a energia entra pelos pés. Então achei que tentar não faria mal.&lt;br /&gt;Cumprir tantos rituais devia ser pra tentar substituir a ausência do mar. Havia não sei nem quanto tempo que sempre na virada eu pulava sete ondas, apesar de preferir os números pares. Esse ano começou mesmo diferente. Na laje da casa de um amigo, onde sempre há um abraço acolhedor, um churrasco ao ponto e muita gente bacana. Aliás, bacana e encarando uma proposta “avonts” mesmo na noite de reveillon.&lt;br /&gt;Pouca gente levava um relógio no pulso e ninguém se lembrou de olhar as horas. Puxei o celular. Marcava 11h52. Os fogos começaram a estourar. Dançando, ninguém tinha se dado conta de que já era ano novo – ou não! Abraços, brindes, fotos.&lt;br /&gt;Doze meses são suficientes pra se ficar exausto e entregar os pontos. Mas como já disse Drummond, aí entra dezembro e com ele a idéia de renovação no final do mês, de uma dia para o outro.&lt;br /&gt;Quero uma nova história esse ano. Entrei nele trazendo oito minutos do que ficou no ontem. E hoje meu maior desejo é saber aproveitar esse tempo, que pode parecer pequeno, mas nele há espaço para muitas miudezas de que preciso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-1777490121198144026?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/1777490121198144026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=1777490121198144026&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/1777490121198144026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/1777490121198144026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2009/01/em-oito-minutos.html' title='Em oito minutos'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-7507621299448455338</id><published>2008-12-14T18:38:00.002-03:00</published><updated>2009-10-15T15:08:49.135-03:00</updated><title type='text'>Sobre amuletos e ciclos</title><content type='html'>O braço direito formou um arco e o punho foi parar nas costas. Veio o impulso e ele abriu a mão, deixando saltar uma medalha. E então deslumbrou o mar com os olhos de menino, cantou os derradeiros versos enquanto seu lamento caia por sobre o rosto, fazendo líquida a maresia daquela última tarde de verão.&lt;br /&gt;Havia mais de dez anos que estavam juntos. Durante alguns estiveram agarrados pelo pescoço. Noutros pelo pulso, ou mesmo pela lembrança guardada em uma caixa vermelha cheia de tranqueiras, de um passado ora quimérico, ora real.&lt;br /&gt;Aquele pingente de metal era como uma gema milagrosa. Tinha dupla face. Em um lado a inscrição de uma jangada. Do outro, o desenho preferido do garoto que vivia com a cabeça no espaço: a cintura da constelação do equador celeste Órion, com as estrelas Alnitak, Alnilam e Mintaka – as Três Marias.&lt;br /&gt;Aquele garoto não tinha nada de mais. Nenhum desenho gravado no corpo, nenhum jeito engraçado, nenhum trato com as brincadeiras de criança. Tinha um brilho no olho, mas só sua mãe conseguia enxergar. Ela também sabia disso e se sentia cada vez mais incomodada.&lt;br /&gt;Para sair de casa o menino percorria um ritual. Estava sempre vestido de modo a tentar destacar o que não existia no corpo franzino. De quando em vez uma pulseira dourada ou uma corrente com um crucifixo pendurado. Assim parecia mais com outros da mesma idade e que sempre recebiam qualquer elogio, como trocados no semáforo.&lt;br /&gt;Numa viagem à Recife, parou em frente a uma vitrine de loja. Puxou a mãe pelo braço e lhe disse: essa é minha medalha da sorte. Saiu de lá com ela pendurada em um rabo de rato de prata. O pingente em forma de gota não tinha a opacidade dos anos gastos, parecia refletir a exuberância do garoto.&lt;br /&gt;Depois de tanto tempo a relação dos dois era mais que simples simbologia. Se passava pro um aperreio era só apertar, se fechando como dedos. Por isso foi tão difícil abrir a mão naquela hora. Mesmo ele já sendo um homem feito, chorou feito menino. Quiçá daquele gesto nasça uma nova alegria.&lt;br /&gt;É saber que o oceano é imenso. Muito maior que aquele punhado de sonhos. Mas ainda que tão profundo, o mar terá mais uma desimportância na sua coleção de tesouros naufragados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-7507621299448455338?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/7507621299448455338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=7507621299448455338&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7507621299448455338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7507621299448455338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/12/sobre-amuletos-e-ciclos.html' title='Sobre amuletos e ciclos'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-2763042013001668534</id><published>2008-12-02T12:38:00.000-03:00</published><updated>2008-12-02T12:39:26.223-03:00</updated><title type='text'>Vc tá on?</title><content type='html'>O modo é informal e a gente sempre começa um papo mais ou menos assim. Eu vivo me escondendo no MSN – essa revelação pode inclusive me render alguma encrenca, mas fiz comigo mesmo o juramento de não mentir ao menos aqui no blog. O Luis já sabe disso. A gente se conheceu na net mesmo, visitando o endereço um do outro. Eu escrevo bobagens e ele é letrado e fala sobre cultura. Mas mesmo com tantas diferenças a gente se entende.&lt;br /&gt;Nunca me identifiquei muito com relacionamentos através de meios modernos de comunicação eletrônica. Até já escrevi isso há uns quatro anos, quando descobri que havia 100 dias que uma amiga que mora perto de mim, em Natal, namorava um cara que vivia em Goiânia e ela nunca tinha visto pessoalmente.&lt;br /&gt;Era um transtorno encontrar e tentar estabelecer um diálogo com minha amiga. O celular dela não parava de tocar. Um som chato que significava mais um SMS chegando – e saindo logo em seguida, evidentemente. Mas não bastasse isso, os namorados jantavam juntos, em frente ao computador. Dividiam o mesmo rótulo do vinho e marca do yogurt de sobremesa. O cardápio invariavelmente era uma sopa instantânea de cenoura com erva doce. Eles acrescentavam azeite, limão e pimenta do reino. Foi assim até que os envelopes começaram a sumir das prateleiras do supermercado. &lt;br /&gt;Ela, que teve usurpado o direito de permanecer em regime, tratou de resolver isso. Mandou um e-mail pro serviço de atendimento ao consumidor do fabricante da sopa. E recebeu em casa um cesta com vários outros sabores e a sugestão de que experimentassem as novidades. Aquele, infelizmente, tinha saído de linha.&lt;br /&gt;Tive de ouvir muitas histórias desses dois. Por um bom tempo, inclusive. Quando acabou eu nem fiquei ciente do motivo, mas pelo que me consta eles nem chegaram a se encontrar. Difícil nisso tudo é dizer que não deu certo. O sorriso que ela sempre carregava era sinal de felicidade. E qualquer um conseguia ver. Eu nunca pequei por recriminar aquela relação, mesmo me causando certa estranheza.&lt;br /&gt;Meu delay era de alguns anos. Há pouco comecei a entender melhor que as pessoas buscam conhecer outras pela rede mundial de computadores. Talvez sejam tímidas pra uma primeira conversa ao vivo. Talvez tenham preguiça de sair de casa sem saber se o cara tem algum cacuete como piscar os olhos repetidas vezes – isso me aflige um pouco.&lt;br /&gt;Ainda não consigo ser vanguardista e achar normal alguém se produzir inteiro para ficar em frente a uma máquina com uma micro-câmera ligada, tentando seduzir outro.  Mas não vou me apressar e dizer que nunca copiarei.&lt;br /&gt;Eu ando fazendo amigos pela internet. E acho isso bacana. Claro que os laços só se estreitam quando a gente conhece, aperta a mão, abraça, quando existe tato, enfim. Dia desses, numa viagem, fui bater na cidade onde mora o Luis. Nós nunca tínhamos olhado no olho. Só comentávamos um no blog do outro e havia compartilhamento de outros textos e gostos.&lt;br /&gt;Até que a gente se viu. E só se viu um dia. Mas que durou o dia inteiro. E agora parece que as afinidades aumentaram. Aliás, preciso dizer uma coisa em off, baixinho. Luis, vc tá aí?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-2763042013001668534?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/2763042013001668534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=2763042013001668534&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/2763042013001668534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/2763042013001668534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/12/vc-t-on.html' title='Vc tá on?'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-8785460067748547458</id><published>2008-11-26T12:36:00.001-03:00</published><updated>2008-11-26T12:36:44.803-03:00</updated><title type='text'>Futura impassibilidade</title><content type='html'>Parece que falta opção. Folga no meio da semana e tem gente que se perde, achando que não há nada pra fazer. Rotina louca essa que cega as pessoas. Enfim. Digo isso porque ouvi um relato de algumas horas de ócio que foram aproveitadas numa barraca à beira mar. Um amigo meu que disse.&lt;br /&gt;Era segunda-feira. Uma família, pelos traços e sotaque, provavelmente de fora, curtia a praia. Um casal na melhor idade, duas filhas adultas cada uma com uma criança. Ou seja, três gerações. Uma das mulheres tinha tatuado o nome da filha nas costas. Alicia era como se chamava.&lt;br /&gt;A garota e o priminho tinham um espaço delimitado por uma linha imaginária que corria paralela a uma cadeira reclinada. Mas pela tábua de marés aquela era hora do mar encher outra vez. E as ondas por vezes passavam daquele ponto, derrubavam e carregavam as crianças por meio metro. &lt;br /&gt;Quando acontecia, a mãe de Alicia imediatamente gritava: venha já para o banquinho! Era um banco alto que estava colocado entre a cadeira de sol dela e a da irmã. A pequena ficava ali por cerca de dois minutos até que era liberada outra vez para continuar a farra da areia. Em alguns momentos o mesmo aconteceu com o menino. Um pouco menos. Quiçá porque ele fosse mais durinho. Parecia ter uns seis anos. Um ou dois a mais que ela.&lt;br /&gt;Na imaginação dos outros, sendo tão metódicas, parecia que aquelas mulheres participaram de alguma das cinco temporadas do programa da Super Nanny ou eram jogadoras de handball e aplicavam a punição dos dois minutos nos filhos – a que durante a partida o jogador cumpre no banco por ter feito uma falta desnecessária ou por causa de uma substituição incorreta.&lt;br /&gt;Do lado de fora, sem ter visto a cena, fico imaginando que há coisa pior do que não saber aproveitar quando a semana pode começar na terça-feira. É ter intransigência no educar. Filhos aprendem a ficar quietos e crescem. Talvez terminem tendo a fleuma elegante da inércia e só descubram o sexo após os 30. Pais cruéis!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-8785460067748547458?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/8785460067748547458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=8785460067748547458&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/8785460067748547458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/8785460067748547458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/11/futura-impassibilidade.html' title='Futura impassibilidade'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-5234471147161254335</id><published>2008-10-23T12:16:00.000-03:00</published><updated>2008-10-23T12:17:14.202-03:00</updated><title type='text'>Eu digo, tu reclamas, nós nos apartamos</title><content type='html'>Estou ocupado. Sem tempo a perder justificando a razão que me leva a escrever. Muitas vezes sobre mim, os que me cercam, sobre minhocas, o céu limpo, os dias de chuva, as impressões do trabalho, a gravidade deformando os corpos, as músicas que não ouço mais e as embalagens de CDs que estão empoeiradas.&lt;br /&gt;Tornar verbo essa miudezas não é uma simples ocupação. A ação me ajuda a entender melhor e a explicar quando as palavras não podem ser ditas pessoalmente. Por isso o único que espero como resposta é que tentem entender. Não sendo possível, que ao menos calem. Seria uma forma de respeito.&lt;br /&gt;Outro dia o meu telefone tocou. Era um número conhecido, mas que já não tinha foto piscando ao lado. Só um nome que soa mal pra minha estrutura de vida. Estava guardado por um desses acasos, que não detalham antecipadamente quem a gente vai encontrar e os desencadeamentos.&lt;br /&gt;Afrontando a minha ideologia, ouvi pacientemente o pedido para que retirasse um texto antigo. Com o apelo, senti do outro lado da linha o medo. E mesmo achando uma agressão, considerei o pedido legítimo.&lt;br /&gt;A gente de quando em vez se agride pensando no outro. Os problemas não eram meus. Pouco me dá se alguém começa ou termina uma relação escrevendo. Ou se faz suas queixas literariamente ou apenas de modo introspectivo. E trata na análise ou desconta no próximo.&lt;br /&gt;Todas as histórias têm princípio, meio, registros, brigas, fotografias guardadas, entrega e incompatibilidades, uma canção marcante e final. Cedo ou outro dia. Ficam as impressões e, em alguns casos, vídeos que mostram o desejo vivo e ajudam a conter os impulsos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-5234471147161254335?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/5234471147161254335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=5234471147161254335&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5234471147161254335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5234471147161254335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/10/eu-digo-tu-reclamas-ns-nos-apartamos.html' title='Eu digo, tu reclamas, nós nos apartamos'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-7410725807830226197</id><published>2008-10-22T13:22:00.000-03:00</published><updated>2008-10-22T13:24:10.026-03:00</updated><title type='text'>Atualizações</title><content type='html'>A inutilidade dos meios de comunicação já não me aflige.&lt;br /&gt;Olho incólume para o celular e o computador jogados no sofá da sala.&lt;br /&gt;Saio pra cozinha pra preparar um café.&lt;br /&gt;Pensar ter ouvido o toque do telefone é outra das coisas ficaram no antes.&lt;br /&gt;No agora foram abertas as portas da fantasia.&lt;br /&gt;É que do lado da lá habitam infindas possibilidades.&lt;br /&gt;E numa delas estou encontrando uma nova fonte de inspiração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-7410725807830226197?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/7410725807830226197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=7410725807830226197&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7410725807830226197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7410725807830226197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/10/atualizaes.html' title='Atualizações'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-3700427761849644355</id><published>2008-08-23T11:35:00.001-03:00</published><updated>2008-08-31T16:52:32.747-03:00</updated><title type='text'>O que me toca</title><content type='html'>Gosto de muitas coisas no meu ofício. Mas quiçá a melhor delas seja a oportunidade de conhecer e conversar com pessoas diferentes e contar suas histórias. Em época de eleições, com políticos e pseudo-propostas em cena, minha equipe tem preferido conhecer o outro lado, o do eleitor.&lt;br /&gt;Laila estava no Instituto de Reabilitação de Cegos do Rio Grande do Norte. É professora da quarta série de uma sala com quatro alunos de idades variadas. Ela tinha passado uma atividade e estava quieta no birô quando entrei falando um pouco mais alto que de costume, como se não soubesse que eles pela ausência de um sentido têm a audição mais sensível.&lt;br /&gt;Depois de uma apresentação rápida comecei a perguntar, e a receptividade era evidente. Aos 29 anos ela pareceu uma jovem muito serena. Branca, estatura mediana, articulada com as palavras, de gestos contidos, cabelo curto partido pro lado esquerdo que cobria parcialmente um buraco na cabeça. Marca da cirurgia para retirada de um tumor no cérebro há quatro anos. Foi depois desse procedimento que veio a seqüela e ao redor tudo ficou escuro.&lt;br /&gt;Hoje ela consegue ver alguns vultos, dependendo da luminosidade do ambiente. E tem outro diferencial: sabe ler em braile, o que não acontecia quando das últimas eleições municipais. Naquele ano a mãe ajudou conduzindo até a seção e indicando onde estavam os números. E ela votou.&lt;br /&gt;A participação no pleito era o objetivo da minha reportagem, que foi motivada pelo Tribunal Regional Eleitoral que baixou a resolução 15/2008, disponibilizando uma linha telefônica na Corregedoria de Justiça, a fim de facilitar a solicitação de pessoas com dificuldades de locomoção e idosos para mudar do local de votação. É um adendo a lei eleitoral, que já previa essa transferência, mas que antes só podia ser feita via cartório.&lt;br /&gt;Laila já passou por um período de adaptação, duro mesmo pra quem tem bom astral. Agora sabe se virar sozinha. Usa de quando em vez uma bengala quando não conhece o espaço onde está. E assim não deixa de participar de nada. Eu gosto de gente. E tê-la conhecido foi uma beleza.&lt;br /&gt;Mas naquela mesma tarde também bati um papo com o presidente da instituição, cego de nascença. Ele começou a falar e no meio do pensamento truncado de tantos comparativos soltou uma palavra que me causou estranheza: videntes.&lt;br /&gt;Ele se referia as pessoas que possuem o sentido da visão. Eu desliguei daquela entrevista imediatamente e pensei que não me sinto assim. Vidente no meu pequeno enteder é uma pessoa que consegue ter premunições.&lt;br /&gt;Depois perguntei alguma coisa sem sentido, gaguejando em dois momentos, na tentativa de disfarçar o tempo em que divaguei. Mas saí de lá convencido de que a gente vê pouco, com ou sem deficiência. O vidente nada mais é que um termo usado por mim e por ele pra se referir a alguém que enxerga mais que nós. A idéia é a mesma.&lt;br /&gt;Furos em um papel só dizem que ele não serve pra escrever. Mas pra Laila e tantas outras pessoas aquilo é instrumento de comunicação tal como minha caneta, o meu computador. Da mesma maneira que os cegos gostariam de enxergar com os olhos, eu, que assumidamente também gosto de tato, queria ver com os dedos. E tocar da pele ao pensamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-3700427761849644355?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/3700427761849644355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=3700427761849644355&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/3700427761849644355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/3700427761849644355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/08/o-que-me-toca.html' title='O que me toca'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-1723516793743435876</id><published>2008-08-12T12:20:00.004-03:00</published><updated>2008-08-12T12:31:22.159-03:00</updated><title type='text'>Hora do cabriolar das minhocas</title><content type='html'>Quando o tempo fecha time que ta perdendo no campeonato não pode parar, quer recuperação. O técnico se veste com uma capa de chuva e põe o elenco em campo, com o gramado pesado, para mais um coletivo.&lt;br /&gt;Quando o tempo fecha é que os pássaros gastam mais tempo em seus ninhos, entrelaçados com criterioso zelo. As águas encharcam as penas e fazem do voar uma tarefa difícil. Sair até para conseguir o alimento é risco de vida.&lt;br /&gt;Quando o tempo fecha em agosto a chuva é de vento e o mar fica revolto. O sonho oceânico se turva na imensidão. Os surfistas aproveitam as ondas crescidas. A paisagem litorânea se faz gris e o colorido é salvo por arco-íris que surgem de algum lugar longínquo.&lt;br /&gt;Quando o tempo fecha as vídeolocadoras ficam cheias e a farta matéria prima das pipocas some das prateleiras dos supermercados. É resultado da simples associação. Noite fria pede filme antigo mais deleite de plumas brancas com gosto de manteiga.&lt;br /&gt;Tempo chuvoso também incita atrito. E os corpos se procuram, se relam, ajudam. O aquecer é uma ação involuntária do animal instinto de sobrevivência. O homem-bicho também se programa. No inverno a caça tem de estar por perto, pra não precisar ir à rua.&lt;br /&gt;Quando o tempo fecha a natureza desafia os carros. Nas estradas abertas na mata, poças de lama. Nas ruas pavimentadas, buracos. E os motoristas buzinam num reclamar perturbador pra quem está farto de ouvir moléstias alheias.&lt;br /&gt;Quando o tempo fecha os guarda-chuvas se abrem. As dispensas se enchem, os computadores esquentam mais que o de costume, o cio das gatas atraem menos pretendentes, dá preguiça de sair pra pagar contas e vontade de pintar.&lt;br /&gt;Tempo molhado também atrasa as construções sólidas. Água fura qualquer aspereza. E quem precisa reconstruir usa do improviso. Precisa aprender a cavar feito ser hermafrodita. De nada valem as inchadas se no arar e no plantar falta minhoca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-1723516793743435876?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/1723516793743435876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=1723516793743435876&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/1723516793743435876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/1723516793743435876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/08/hora-do-cabriolar-das-minhocas.html' title='Hora do cabriolar das minhocas'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-553031244077738274</id><published>2008-08-08T21:03:00.000-03:00</published><updated>2008-08-08T21:04:27.301-03:00</updated><title type='text'>Conflito</title><content type='html'>Pela manhã me perguntaram sobre com o que eu tinha sonhado. O questionamento não veio de um companheiro de trabalho que costuma indagar a mesma coisa pra em seguida jogar no bicho. Despertei sem saber o que meu inconsciente confabulou durante o sono, mas hoje meu maior desejo é não ter dúvidas.&lt;br /&gt;Das certezas, só que isso não é possível em tempo algum. Ainda assim, persigo o ócio, a segurança, a rotina, o verbo acreditar. Minha fé é como um café em pó. Precisa de de-leite pra não amargar a boca. E tem outra coisa: eu farso o que quiser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-553031244077738274?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/553031244077738274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=553031244077738274&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/553031244077738274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/553031244077738274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/08/conflito.html' title='Conflito'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-8934735194245009227</id><published>2008-08-08T13:29:00.002-03:00</published><updated>2008-08-08T19:54:08.746-03:00</updated><title type='text'>Aliviando tensões (massagem é coisa de frutinha!)</title><content type='html'>Instrumento indispensável da vida moderna é o controle remoto. Em noites de impaciência e insônia o meu vem sendo usado mais que de costume. E foi numa dessa que comecei a trocar de canal até parar no Programa do Jô, no instante em que iria começar uma entrevista com a jornalista Fernanda Colavitti.&lt;br /&gt;Apostei. Ela me pareceu ter um semblante bem comum, além de compartilharmos da mesma profissão e termos um blog. Era falar sobre o dela o motivo da entrevista. Sexo é o tema central da página. E até aí tudo muito convencional, já que é cada vez mais fácil encontrar o tal conteúdo para adultos nesse mundo virtual. Além do mais, as melhores entrevistas dele são com pessoas até então anônimas.&lt;br /&gt;Mas logo no início do papo a gaja se mostrou atrativa. Ria de lado para parecer tímida, mesmo sendo notório que estava muito desencanada com todas as perguntas que penetravam, além de tudo, na sua intimidade. Sensacional é falar sobre isso sem nenhuma inibição. Melhor ainda é não ter a preocupação de dissociar a vida profissional da pessoal.&lt;br /&gt;O blog da Fernanda é coorporativo. Está na página da revista Galileu, da Editora Globo. É isso mesmo. Ela tem o aval do chefe para pesquisar e falar sobre qualquer putaria e pleno horário de expediente, o que nós só fazemos na hora do cafezinho e em tom quase inaudível por receio de retaliação.&lt;br /&gt; Falando em trabalho um dos trechos mais curiosos daquele papo foi o que motivou esse post. Desde março deste ano ela vem escrevendo e colecionando contatos. Um desses informantes passou o link da página de um grupo argentino denominado Los Fiesteros que surgiu nos anos 1990 com a proposta de trocar o chope do happy hour por sexo.&lt;br /&gt;No início, eram seis pessoas que se conheceram num site de relacionamentos e marcaram outros prazeres pra depois das seis em um escritório no bairro de Villa Crespo. Os encontros aconteciam uma vez por mês sempre na última semana e mudavam de lugar, afinal explorar também novos ambientes sempre é bacana.&lt;br /&gt;A cada edição eram convidados novos participantes, como nós fazemos naturalmente por aqui, chamando um amigo, um primo – qualquer pessoa menos o patrão – para uma mesa de bar. E logo aconteceu a primeira grande festa num chalé de dois andares com a presença de 110 pessoas.&lt;br /&gt;Hoje tem tanta gente literalmente querendo entrar, que foi organizada uma página na internet para cadastrar todo mundo e informar através de newsletters onde acontecem as grandes surubas a cada 15 dias. Também foram estabelecidas divisões. Existem agora grupos mistos (com homens e mulheres) e grupos gays para homens acima de 18 anos, sem limite de idade e na faixa etária de 18 a 35 anos.&lt;br /&gt;Durante aquela madrugada deitado no sofá ao meu lado só estava o celular. E foi nessa hora que eu descobri a importância da função escritório dele. Anotei os endereços dos sítios e entrei dias depois pra conferir. &lt;br /&gt;Sobre impressões, aqui meus registros. Em tempos de tantas preocupações com doenças sexualmente transmissíveis vale lembrar que é bom ter prudência. Ela é prima-irmã da saúde. E não me venha com essa de que se pagando o equivalente a oito reais se tem direito a camisinha a noite inteira, além de armário pra roupas e uma bebida. Não deve ser fácil controlar um batalhão de gente de uma só vez. Ainda mais sentindo picos de tesão.&lt;br /&gt;Sobre curiosidades, também digo. Há uma recomendação expressa para que ninguém seja deixado de lado e assim, como uma democracia, todos possam desfrutar. E o mais interessante é ler as regras. A sexta delas proíbe o uso dos banheiros para fins sexuais, justificando que no meio da galera sempre tem gente que precisa usar as dependências pra valer. Não vi qualquer tópico dispondo sobre o que fazer com outros fetiches. Logo, concluo que pode ser interessante pra os mais exibicionistas.&lt;br /&gt;Nessas orgias acho que deve rolar um esquema mais pancadão, com direito a tapas e tudo mais. Imagine o que é encontrar um bando de gente estressada, que acabou de sair do trampo com todas as pressões de ter de bater metas!&lt;br /&gt;Nunca ouvi dizer que exista algo parecido por aqui, mas Los Fiesteros informam que a prática já foi espalhada para outros países, inclusive o Brasil. Na minha cidade, movimentos de outras culturas, até mais amenas e limpinhas tem sido vistos com um tanto de estranheza. Um deles foi proposto por um empresário da hotelaria local, Eduardo Bagnoli. Ele sugere que seja criado um local para prática do naturismo, numa praia ao lado de Ponta Negra, onde só é possível chegar com a ajuda de embarcações de pesca artesanal.&lt;br /&gt;Hilário seria ver os pescadores transportando peladões pra lá e pra cá. Diz que isso poderia atrair mais turista. Na página do outro grupo na web se incita o turismo sexual, e por essas bandas há outdoors combatendo a prática da gringalhada. Difícil é saber quem está na mão certa, dos novos tempos. Mercado pra tudo já ficou claro que existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. 1: Para quem achar curioso ou excitante, fica o endereço. http://www.grupolosfiesteros.com/&lt;br /&gt;P.S. 2: Aviso aos navegantes que não existe nenhum motivo especial para esse texto ter sido escrito em plena sexta-feira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-8934735194245009227?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/8934735194245009227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=8934735194245009227&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/8934735194245009227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/8934735194245009227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/08/aliviando-tenses-massagem-coisa-de.html' title='Aliviando tensões (massagem é coisa de frutinha!)'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-5095297777828640553</id><published>2008-08-04T22:24:00.002-03:00</published><updated>2008-08-05T11:13:56.099-03:00</updated><title type='text'>A minha área verde (ou sobre a felicidade)</title><content type='html'>&lt;em&gt;Para minha mãe&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;É um prédio todo azul. Com tons claros e mais escuros. Todo azul. Eu passo diariamente e fico olhando. Não é pela imponência da arquitetura, nem pela parede de vidro que deve revelar uma bela paisagem – já que é um dos pontos mais altos da cidade. Ao lado da principal sacada há um jardim. E cada andar guarda uma surpresa paisagística. Plantas exóticas, todas altas. Eu, debaixo, consigo ver.&lt;br /&gt;Era criança quando minha mãe falou pela primeira vez que eu tinha uma séria atração pelo inacessível. Mais tarde eu morava na Espanha e ela me mandou um cd que na faixa 14 tinha uma música que ficaria bem melhor na sua voz. “Mesmo quando ele consegue o que ele quis, quando tem já não quer. Acha alguma coisa nova na TV, o que não pode ter, e deixa de gostar, larga mão do que ele já tem. Passa então a amar tudo aquilo que não ganhou”.&lt;br /&gt;Naquela época, longe dos olhos dela, eu não tinha muita coisa palpável. Só um som portátil, duas malas com roupas, uma máquina fotográfica, um computador, um celular pré-pago, mais umas tranqueiras e um quitinete alugado. E tudo isso tinha muito valor. No meu quarto, por exemplo, as paredes eram cheias de fotografias dos mais chegados e bilhetes dos poucos que fui conhecendo nas aulas, nas ruas, nos cafés. Os bens físicos protegiam meus tesouros emocionais.&lt;br /&gt;Escrevendo por ofício ou prazer, sinto nostalgia. Parece uma compulsão, como se fosse proteger a vida de alguém. A minha talvez. E naqueles tempos eu exercitava a palavra em dois idiomas. E ganhava responsabilidade, senso prático e um pouco dinheiro nuns trabalhos temporários. Só não consegui ter apego as coisas materiais. Saí de lá deixando as peças de frio e os discos de mpb.&lt;br /&gt;Em momentos é preciso escolher. Normalmente minha inclinação é tomar decisões quando a saudade açoita. Eu me sentia uma pedra remota, um corpo fugitivo. No último sopro de estrelas ganhei uma festa de despedidas, numa boate que eu gostava, mas não freqüentava muito.&lt;br /&gt;Por aqui, passei uns dias na casa da minha família. Há jardins, umas plantas bonitas, de idade avançada e que seguiam crescendo. Estranho era ver que uma ala nova de quartos ocupava o nascedouro de um xique-xique que atingiu mais de dez metros de altura e anunciava as chuvas. Era o orgulho do meu pai.&lt;br /&gt;Quando tinham passado três meses dali fui para meu primeiro apartamento. Sem varanda. Comprei uma ráfia para a sala e uns mini cactos para o banheiro. Não tinham espinhos. O cachepô não combinava muito com a decoração rústica. Era de vidro, grande como um aquário de sala de espera de dentista. A diarista colocava água duas vezes por semana e eu batia papo. Fiz tudo certo, mas ela não. E a planta morreu por excesso de cuidado, com o caule todo úmido, quase podre.&lt;br /&gt;Teve também uma vez que levei pra lá dois vasos e larguei na janela pra pegar uma brisa. Os ventos de agosto derrubaram um que atravessou a janela do quinto andar e quase cai sobre a mala do carro novo do vizinho.&lt;br /&gt;O cinza das ruas não me parece ter um ar muito simpático. Até finda o ar quando estou ao redor de muito concreto. Das reminiscências da minha infância eu trago o apego pelo verde. E quero ter vida em todos os cantos pra minimizar a dor dos azulejos, dos objetos marcados por farsas.&lt;br /&gt;Para um apartamento novo, um novo projeto, foram adquiridas muitas plantas. No corredor, ao lado da mesa de jantar, da televisão, nos banheiros todos. Em tudo quanto é lugar tem. Na entrada, uma árvore da felicidade. Claro que é prudente regar, mas dizem que ela cresce por influência das energias boas. A minha passou um tempo bem bonita até que começou a definhar. Agora, apanho umas folhas secas do chão quase que diariamente. Por isso hoje resolvi tirar da entrada. No corredor não consigo controlar quem chega ou sai.&lt;br /&gt;Deve ser um olhar de admiração que lanço pelas manhãs quando passo por aquele prédio e o mundo só parece ter sentido na vertical.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-5095297777828640553?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/5095297777828640553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=5095297777828640553&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5095297777828640553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5095297777828640553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/08/minha-rea-verde-ou-sobre-felicidade.html' title='A minha área verde (ou sobre a felicidade)'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-8582039053592487857</id><published>2008-08-04T09:28:00.001-03:00</published><updated>2008-08-04T09:31:57.108-03:00</updated><title type='text'>Cheque em branco</title><content type='html'>O braço direito fazia um laço pela cintura e a mão esquerda levantada, deitava estrategicamente sobre sua nuca. Era o gesto mais simples e abissal. Era com ele que via sua entrega. Num langor que provocava fascínio e sensação de poder.&lt;br /&gt;O corpo mole respondia com sinais sonoros e toques leves. Tudo com a rapidez da debilitude. E ele abria os olhos na tentativa de flagrar o semblante de um grunhido. Parecia entender aquele desejo, e, por isso, ele se tornou mais um a ficar na expectativa de uma revelação.&lt;br /&gt;Do alto de um penhasco todos os olhos abriram repentinos com a chegada de outro casal. Vinha também admirar a lua, que àquela altura já tinha sido oferecida como regalo. Mais acima havia desenhos que lembravam os cadernos antigos, cheios de pontos que precisavam ser unidos. Eles piscavam. Do acender a apagar, surgiam em novos lugares revelando diversas formas. Era uma noite sem nuvens.&lt;br /&gt;Na cama, um lençol florido. No criado mudo, uma máscara. De olhos vendados sentiu o peso do seu quadril que mexia para frente e voltava e uma vontade de tirar as roupas de baixo. Com as pontas dos dedos ligeiros tocava o arrepio de suas coxas. Eles, longos e traiçoeiros, correram por elas, deram voltas e subiram até as costas.&lt;br /&gt;O combinado era apenas sentir, mas ele foi quebrado. Tirou aquele corpo que ondulava de cima e o jogou para o lado, parando quando ficou de bruços. Arrancou a venda dos olhos e parou para admirar por alguns momentos até que se deitou sobre ele. Os pêlos ficaram ainda mais de pé.&lt;br /&gt;A rua parecia estar ladeada por quaresmeiras. Coloridas e ao mesmo tempo tristes.  Tudo era ambíguo como o seu olhar. Havia beleza ali, e também os artifícios duvidosos da conquista. Havia querer e insegurança. Tinham uma cumplicidade razoável, mas os diálogos nunca evoluíram.  Não se chegou a falar claramente sobre um futuro bom e a participação de ambos nele.&lt;br /&gt;Nas conversas o que mais incomodava era o targiversar. Mas entendia que o outro não fazia promessas que não pudessem ser cumpridas. E por mais que o presente fosse tentador, a incerteza do que estava por vir lhe fez deixar de assinar qualquer coisa que um dia servisse de cobrança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-8582039053592487857?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/8582039053592487857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=8582039053592487857&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/8582039053592487857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/8582039053592487857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/08/cheque-em-branco.html' title='Cheque em branco'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-6125637686101012092</id><published>2008-07-30T11:59:00.005-03:00</published><updated>2008-07-31T01:34:29.527-03:00</updated><title type='text'>A gente nunca esquece</title><content type='html'>&lt;em&gt;Para Neila&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Na minha infância bicicleta era uma geringonça formada por uma esquadria de metal, duas rodas e um guidão. Seria prudente que também tivesse freio pra minimizar os tombos, mas nem sempre havia. Na dos meninos não podia faltar bagageiro. E nas das meninas uma cesta na frente – que eu poucas vezes vi sendo usada, mas todas faziam questão.  Desde cedo são voluntariosas. Vai entender as mulheres!&lt;br /&gt;Eu aprendi a ter equilíbrio na vida e sobre duas rodas um pouco tarde. Já tinha uns dez anos quando encarei pra valer um passeio. No pneu de trás da minha bike, duas rodinhas menores, presas por parafusos e que me ajudavam a não cair. Tinham uma leve angulação e não tocavam a calçada de frente de casa – local dos meus treinos - todo o tempo. Assim, eu sentia quando estava usando-as e as minhas melhoras. &lt;br /&gt;Uma semana dali, tirei a primeira. Estava mais confiante. Qualquer problema era só jogar o peso do meu corpo para o lado direito, o que ainda tinha suporte. Quando decidi ficar sem as duas sonhava em ter uma família margarina, com um pai que corresse ao meu lado e não me deixasse estropiar no chão. Mas eu nasci e o meu já beirava os 40. Seria muito àquela altura exigir isso. Nunca fui uma criança chantagista, que fique claro. Só aprendi essa artimanha depois.&lt;br /&gt;Na minha infância bicicleta era uma das poucas brincadeiras. Nunca achei graça em ficar sujo, correr e rolar na grama com os outros pequenos. Tinha uma forma particular de me divertir e de quando em vez preferia ficar ao lado dos meus pais em rodas de adultos. Ao menos as histórias eram interessantes. Uma delas conta que meu pai remava na época em que morou no Rio. É engraçado. Ele nunca foi afeito a essas extravagâncias e da última que me recordo, com meu irmão mais novo, caiu errado, na quina da piscina no momento em que tentava acertar uma bola. Tal fato lhe rendeu uma cirurgia no ombro direito e uma cicatriz bem avantajada.&lt;br /&gt;Sobre marcas eu também tenho entendimento. Já tendo a manha das pedaladas, apostava corrida com um primo da mesma idade pelas ruas do bairro. Perto de um supermercado era o nosso ponto favorito. A avenida era asfaltada e tinha uma ladeira de bar frio na barriga. Foi nela que uma vez parti na frente e quando cheguei pela metade, olhei pra trás pra ver se ele me acompanhava e trombei com um carro que estava estacionado. Foram alguns metros pelo ar e outros pela pista. E fui obrigado a ir à escola mesmo com o corpo e o rosto arranhados.&lt;br /&gt;Ela era roxa e com a cela e uns adesivos em amarelo flúor. Ficou rota também e foi guardada por um tempo na garagem. Período que era pra ser curto, mas se prolongou até hoje. Minha bicicleta sumiu sem que ninguém visse. E eu entrei em desespero porque nem com o vigia da rua, que estava sempre dormindo, eu pude contar para ter qualquer informação. Na minha infância esse furto foi uma das primeiras desesperanças que conheci.&lt;br /&gt;Uma amiga, entendendo que era seu melhor momento profissional, deixou filhas, cachorro e tudo mais que tem por uma temporada. Saiu da cidade para trabalhar. Fizemos, num bar, uma reunião com os mais chegados para a despedida e terminei por convidá-la e mais um par de pessoas pra um almoço no dia seguinte.&lt;br /&gt;Ela não sabia bem, mas a idéia era fazer a partilha de suas coisas, ou de forma mais simpática, ajudar a cuidar de tudo durante a ausência de três meses. Um amigo que já deveria ter saído da casa da mãe ficou com o apartamento e responsabilidade de pagar as contas provenientes de seu uso. Outra que mora num espaço reduzido pegou pra si a incumbência de determinar a agenda festiva na nova locação. E eu fiquei com a bike. Profissional, cor de vinho, com amortecedores, umas tantas marchas e mais modernidades que nem sei usar.&lt;br /&gt;Havia mais de dez anos desde a última vez que montara em uma bicicleta. Essa é uma digressão. Do verbo digressionar. Das conjugações da saudade. E é parte de uma retomada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-6125637686101012092?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/6125637686101012092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=6125637686101012092&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/6125637686101012092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/6125637686101012092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/07/gente-nunca-esquece.html' title='A gente nunca esquece'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-5372496249651110327</id><published>2008-07-12T15:33:00.007-03:00</published><updated>2008-07-12T17:29:30.658-03:00</updated><title type='text'>Olhos de chover</title><content type='html'>Naquela manhã de despedidas, saiu de casa com os olhos avermelhados de sono e tristeza. Havia bebido apenas um copo de leite na cozinha, encostado na pia, de onde era possível fitar os pés de Melissa deitada de lado no sofá da sala.&lt;br /&gt;Na rua, esteve procurando por sua amiga mais íntima e sempre conselheira em momentos difíceis. Seguiu até sua casa e escutou ainda ao longe um barulho na escadaria. Aproximou-se e a viu descendo com uma mala de viagens cinza para dois. Percebendo que estava atrasada, desistiu de falar. Embargou as lágrimas no momento em que lhe deu um abraço e disse que estava tudo bem, que conversariam em outra hora quando tivesse passado o final de semana.&lt;br /&gt;Andou em círculos pela cidade como costumava fazer quando a vontade era de congelar instantes ou simplesmente atrasar decisões difíceis. E assim ficou por cerca de uma hora. Vendo o tempo se acortinar em nuvens e embaçar seus óculos de sol.&lt;br /&gt;Abriu a porta de casa e viu Melissa no mesmo canto, quase inerte desde cedo. Passou direto para o quarto. Bateu a porta e voltou a deitar. Ela veio ao seu encontro como se quisesse ferir. Entrou sem avisar, correu uma bolsa, pôs algumas roupas e quando foi sair estendeu a mão com um dvd, dizendo: assista quando puder.&lt;br /&gt;No sofá, que estava com a espuma afundada dois centímetros pelo peso das lembranças, sentou-se. Colocou o volume alto, num número par, dedicado a saber qual a última mensagem daquela história.&lt;br /&gt;Nas primeiras cenas, Briony Tallis ainda é uma menina e já mostra a que veio. Fala e anda com ares de prepotência. No andar, sempre passos e ângulos retos. Ela gasta tempos observando seu apaixonado e escrevendo peças de teatro.&lt;br /&gt;Das conversas com a irmã mais velha no jardim, percebe o interesse comum pelo rapaz, filho de uma criada e que, para não fugir do folhetim habitual, teve a educação custeada pelos pais afortunados das duas moças.&lt;br /&gt;Ainda é dia quando Briony se destaca na trama, conduzindo uma carta do jovem para a irmã e logo mais pegando o casal na biblioteca da mansão, ela de pernas abertas, os dois encostados em uma estante, sôfregos. E depois quando presencia o estupro sofrido por sua prima por um amigo do irmão e herdeiro de uma fábrica de chocolates.&lt;br /&gt;Intempestiva, Briony consegue atrapalhar o romance que até então espreitava. Para afastar os dois, ela acusa o rapaz, dizendo tê-lo reconhecido na cena de violência. E ele é condenado às torturas da guerra. Em &lt;strong&gt;desejo e reparação&lt;/strong&gt;, os reparos vêm no final, quando Briony aparece com rugas, dando uma entrevista para lançar seu vigésimo primeiro livro, o único autobiográfico da carreira.&lt;br /&gt;Na obra, os amantes vencem o tempo, tão traidor quanto o Zenão de Eléia, e se encontram. Vivem juntos em uma casa num lugar longínquo, só possível de acreditar em uma fotografia antiga. Mas o final feliz só se realiza por ser imaginário e mais uma vez manipulado pela vontade alheia.&lt;br /&gt;Vinícius estava sensível naquele dia que já avançava pela tarde sem hora para almoço. Ficou tocado, mas não chegou a se emocionar. Talvez por ter hábitos amadores de escritor e entender que as palavras podem, sem danos, ser instrumento das vontades e criar novas condições de existência.&lt;br /&gt;Pensou em se apropriar poeticamente daquela narrativa. Metaforizar. Ligou o computador e quando iria começar a delinear o seu desejo por mudança, percebeu que um ícone se abriu, anunciando a chegada de um novo e-mail à caixa de mensagens.&lt;br /&gt;Estava sozinho e não precisava fazer &lt;em&gt;mise en scène&lt;/em&gt;. Mas não conseguiu lê-lo por completo. Abria e fechava os olhos como quem quisesse se perder e retomar de qualquer parte para tentar assim chegar a próprias conclusões. Foi numa dessas paradas que viu outra interpretação para o filme. Mais pueril até. Dizia que sempre há tempo para se pedir desculpas pelas tentativas de mudar o que o acaso uniu, usando todos os agravos da mentira. Era o primeiro texto que Melissa lhe escrevera. Uma carta anunciando um desfecho sofrível, com p.s. no final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-5372496249651110327?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/5372496249651110327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=5372496249651110327&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5372496249651110327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5372496249651110327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/07/olhos-de-chover.html' title='Olhos de chover'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-6381060287249688021</id><published>2008-07-08T10:54:00.002-03:00</published><updated>2008-07-08T11:31:44.449-03:00</updated><title type='text'>Investindo em si (ou sobre como suportar as asperezas do tempo)</title><content type='html'>A sala é cor-de-rosa. Há querubins e serafins materializados ali. De cerâmica a maioria. Numa cômoda ao lado do sofá, numa prateleira ao largo do corredor que leva à cozinha e no passeio pra os dois quartos. Anjos que casam com orações bordadas em ponto cruz, emolduradas e postas nas paredes.&lt;br /&gt;Por fora da janela, quatro bebedouros com água, açúcar e enfeites de plástico. Seis beija-flores se alimentam num bailado impressionante. E uma vez aberta a vidraça, invadem a casa para compor com o ambiente.&lt;br /&gt;Não é o tipo de decoração que me agrada, mas é muito harmônico e não posso deixar de perceber o cuidado que teve em combinar estampas, em pôr as almofadas por sobre o sofá e até na cortina dos oratórios - usados durante a noite como quartos. O tecido amarelo e de franjas esconde fissuras e infiltrações.&lt;br /&gt;As imperfeições estão por outras partes. Mas são escondidas por Janice. Há três anos ela tapa as rachaduras e buracos que se formam periodicamente. E enfeita com adornos barrocos com se quisesse fugir de um pesadelo.&lt;br /&gt;Sobre maus bocados ela tem entendimento. O trabalho como agente penitenciária certamente não era com o que sonhava. Por causa dele, e para manter sua segurança, ela não queria ser entrevistada. Àquela altura da vida, beirando os quarenta, já tinha se acostumado com o choque de realidade que era sair do ofício e entrar no seguro abrigo. Mesmo que a proteção nem fosse tanta.&lt;br /&gt;Seu sonho de ter um imóvel próprio estava fadado a desmoronar. Janice vive no bloco C de um condomínio com oito torres e 128 apartamentos, erguido sobre um alicerce frágil e com material de quinta em todo o resto. O quarto andar do edifício dela é o mais afetado. O que, na conclusão do laudo de perícia do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, mais corre risco de cair.&lt;br /&gt;Janice ainda nem terminou de pagar por ele e continua fazendo isso todo fim de mês. Vai ao banco que financiou a operação e quita mais R$ 153. Ao final de 15 anos deve ter o parcelamento terminado e conquistar em definitivo todos os direitos daquele contrato de arrendamento. Ela mexe comigo pelo simples fato de não ter esmurecido e ainda investido tempo, energia e sentimentos em seus projetos, durem o tempo que for.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-6381060287249688021?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/6381060287249688021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=6381060287249688021&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/6381060287249688021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/6381060287249688021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/07/investindo-em-si-ou-sobre-como-suportar.html' title='Investindo em si (ou sobre como suportar as asperezas do tempo)'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-6035132364331396872</id><published>2008-07-04T19:36:00.002-03:00</published><updated>2008-07-04T19:37:41.219-03:00</updated><title type='text'>Disfarces</title><content type='html'>Passaram-se cinco anos até que dois amigos se reencontram. Em um tinham aparecido os primeiros cabelos brancos, e na cabeça outro já quase não havia fios. Um tinha perdido o abdômen rígido conquistado nas classes de judô enquanto o outro deixou de lado uns poucos quilos indesejáveis. Desejados os dois eram. Agora por suas esposas e filhos. &lt;br /&gt;Na mesa de um bar, o papo clichê de rememorações e digressões atropelando as falas. Os copos, na maior parte do tempo, quase vazios. Eram rápidos e dentro de pouco mais de uma hora estavam ligeiramente bêbados. Nostálgicos, alegres, de pileque.&lt;br /&gt;Como nas noites de outrora, terminaram por encontrar o caminho do Mangueirão. A casa noturna nas entocas do Parque das Colinas, ao contrário, tinha mudado pouco. De atualizações só uma radiola de fichas na sala principal, os azulejos do bar e a variedade de drinques e as putas de dona Magali, claro.&lt;br /&gt;Aliás, a safra era nova, mas permanecia com as mesmas características. Só havia duas meninas jovens, que àquela altura tinham se trancado nos quartinhos um par de vezes cada uma.  As demais eram de meia idade.  Usavam um vocabulário chulo e pinturas multicoloridas borradas na cara. Tinham o eterno ar de decadência dos bordéis que usam luz negra debaixo do céu.&lt;br /&gt;Chegaram perto de Keith e fizeram a proposta ao pé da orelha. Ela topou, mas pediu espaço para mostrar seus dotes no palco. A eles e aos demais frequentadores. Era cortesia. Subiu no palco envolto por espelhos cortados e tirou a roupa sem frescuras, parando ainda no meio da música. Desceu sem ouvir aplausos e pegou os dois pelas mãos.&lt;br /&gt;Sem roupas, nada mais abrir a porta deitou com as pernas bem afastadas num exibicionismo latente. Vinícius já estava sem conseguir esconder sua excitação dentro das calças frouxas de tecido fino. Marcos também sentiu desejo pelo inusitado.&lt;br /&gt;Quando foi puxado pela cintura pela meretriz seu amigo já estava em pêlos. Sentiu um nervosismo abrupto e que iria brochar. Ainda vestido conseguiu disfarçar e cedeu a vez sem moléstias para ambos. &lt;br /&gt;Keith sequer se mexia enquanto era tomada pelo vigor de Vinícius. Ele estava pro cima, na clássica posição do Kama Sutra, de costas para seu amigo, parado pouco mais de um metro dali.&lt;br /&gt;Marcos ficou a admirar o corpo do companheiro ao invés do da acompanhante. Ele tinha a bunda mais lisa que a dela. E com as mãos menos calejadas do que na época da adolescência, começou a se masturbar. Assumiu-se voyeur. Os três gozaram juntos. E o desejo contido de Marcos foi parcialmente saciado. Sem levantar suspeitas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-6035132364331396872?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/6035132364331396872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=6035132364331396872&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/6035132364331396872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/6035132364331396872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/07/disfarces.html' title='Disfarces'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-7397149182631843406</id><published>2008-07-04T15:31:00.002-03:00</published><updated>2008-07-05T09:37:43.320-03:00</updated><title type='text'>Um passado bom</title><content type='html'>Na terceira gaveta de um armário que tenho no escritório do meu apartamento está guardada uma caixa vermelha e com um elástico branco que guarda por sua vez imagens antigas. Por causa do meu fascínio pela fotografia, muitas delas estão lá porque julgo que são esteticamente interessantes.  Desconheço até a razão de algumas terem sido feitas. Outras são minhas. Fotos de infância principalmente.&lt;br /&gt;Quando eu não sei o que está por vir, sento no chão, abro a tampa e me passa um filme. É puro hábito. Tão recorrente que já sei a sequência em que estão dispostas e seria capaz de apontar os detalhes mesmo se estivera de olhos vendados. No gesto repetido de hoje cedo, percebi a força do acaso. É uma fase de mudança e eu faço outra análise.&lt;br /&gt;Veraneávamos, eu e minha família, em uma casa que tinha a árvore mais exuberante que eu já vi. Até hoje não sei bem do que se trata, mas tem folhas como as de um cajueiro, só que mais resistentes, e caule e galhos como os de um pinheiro, só que são tortos. É uma surpresa. Uma das maiores obras da natureza que eu via com esquisitice.&lt;br /&gt;A árvore nascia no terreno lá de casa, mas só dava sombra pra o lado do vizinho. Ele pedia insistentemente pra que nunca cortasse e seguia fazendo churrascos sob. Eu era um menino franzino naquele verão do início dos anos 1990. De tão delgado acho até que ela nem se incomodava com minhas escaladas e o lar que construí ali. A casa da árvore. Que não tinha teto nem paredes e era dividida com dezenas de passarinhos.&lt;br /&gt;Havia uma diagonal feita por sobre o muro onde eu me abrigava da chuva. Isso quando chovia de dia. Só tinha permissão de passar as manhãs e tardes naquele lugar. E foi numa dessa que eu arranjei de pegar os óculos de sol de alguém. Eram negros na armação de acetato e de lentes bem escuras. Grandes pra mim, mas com um cordão que prendia no pescoço em caso de qualquer escapadela.&lt;br /&gt;A foto quem tirou foi minha mãe. Eu estava encostado numa parede. Com os cabelos aloirados do sol, a pele queimada, uma bermuda caqui, camiseta branca e os tais óculos. Ao lado havia um vaso de planta da minha altura. Hoje a impressão amarelada quase não deixa ver as cores que estavam lá. E a textura da maresia. Mas agora o olfato emocional me transporta ao período de pré-adolescente pelo cheiro da independência.&lt;br /&gt;Dos ares de emancipação tenho mais referências dentro da caixa. Por exemplo, outra 15 x 21. Essa com verniz e marcas de digitais. Fica junto de outra que me revela menor que uma boneca que ficava ao lado da cama da minha irmã e eu roçando nela sem roupa. Está na ala dos gestos que já me envergonharam, embora hoje ache graça.&lt;br /&gt;A foto foi tirada sem que soubesse. Até meio tremida ficou. Eu usava uma camiseta de tricô num tom de pastel. Estava numa festinha com os amigos da minha rua. Na certa, arquitetando uma travessura. Remete a época em que eu comecei a saber o que era guardar segredo. Tinha um pacto com um primo da minha idade, Raphael. Nós éramos cúmplices de um esquema pesado. Era crime mesmo. Dos poucos que cometi.&lt;br /&gt;Na praça da rua de cima havia uma centena de eucaliptos altos e uma banca toda pintada de branco. Minimalista que chegava a parecer ingênua. Ao redor, o frescor das plantas. Dentro, pirulitos, jornais, álbuns e figurinhas e revistas.&lt;br /&gt;Foi numa prateleira escondida que encontramos exemplares proibidos para menores. Entramos e saímos de lá várias vezes sem nem pensar que o velho da banca já tinha dado conta do que pretendíamos. A revista era pornográfica mesmo. A primeira que compramos tinha uma negra farta de tudo. E no interior, ela mesma, possuídas por três homens, em todas as entradas.&lt;br /&gt;Em poucas semanas já tínhamos muitas delas. Todas sujas. Fotografias arruinadas com balões e falas censuradas em qualquer local público. Pelo grande volume, mudamos de esconderijo – sim, porque elas precisavam ficar em um local secreto. Achamos de colocar tudo embaixo do sofá da sala da casa dos meus pais. Era perfeito. Até o dia da faxina quando afastaram ele.&lt;br /&gt;Meu pai me apanhou na escola e não deu nenhuma palavra. Na certa já sabia, mas reparou nos meus últimos minutos sem culpa cristã. Antes do almoço minha mãe me puxou no canto e me esbofeteou com gritos. Ela estava certa. E tive de entregar meu primo e agüentar o sarro dos amigos da rua sobre minha mãe ter ido falar com a esposa do velho da banca.&lt;br /&gt;Depois veio uma nova fase. Estava pronto para entrar na universidade, saindo da escola. Foi lá que encontrei uma das minhas maiores aquisições: Gláucia. Eu usava dos mais variados subterfúgios para não ficar com ela no início. Gostava daquela idéia de ser conquistado e assim fui levando até que a vontade já era maior que meu ego. Foi uma história bonita de quase cinco anos.&lt;br /&gt;Em Caicó, numa festa de Sant’Ana a gente levou uma surra de muriçoca. A foto foi feita a uma distância razoável pra não mostrar as potocas na pele como algumas das marcas daquela noite. Na impressão guardada, apenas eu, ela e meu primeiro carro, que tinha na mala um adesivo do gato Félix. A máquina ainda era de filme de rolo e eu nem sabia que existia photoshop. Pra enfeitar, pedi pra fosse revelada com margens brancas.&lt;br /&gt;Quando eu saí dos bancos acadêmicos as imagens se tornaram um objeto de trabalho. São muitas as que vejo diariamente, as que comento, as que ignoro. Voltei a montar as pessoais em álbuns de papel e cantoneiras. Tenho planos de escrever nos cantos das páginas, só que venho protelando. Quiçá pela falta de tempo nesse período, ou porque eu não preciso verbalizar o que sei e é só meu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-7397149182631843406?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/7397149182631843406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=7397149182631843406&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7397149182631843406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7397149182631843406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/07/um-passado-bom.html' title='Um passado bom'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-7845413185760116247</id><published>2008-07-03T12:08:00.001-03:00</published><updated>2008-07-03T14:03:51.930-03:00</updated><title type='text'>Para sempre</title><content type='html'>Eu já acreditei que muitas coisas fossem. Até que relacionamentos seriam. Mas a vida vem tentando me provar que tudo se desgasta. E mesmo a catarse emocional do fim não consegue purificar a alma a ponto de que haja um recomeço. Sem lembranças, sem dar conselhos como uma forma de nostalgia.&lt;br /&gt;Numa fase dúbia, minha metade crespa diz com um pragmatismo ora incômodo que tudo tem um prazo mais curto e é prudente saber aproveitar. A outra é mais romântica e quer acreditar insistentemente em ciclos e retomadas.&lt;br /&gt;Um pouco mais rarefeito, acordei com o desejo de saber se essa imprecisão atormenta só aos que vivem momentos de conflito. E sem grande prejuízo para a verdade, perguntei a dez amigos se eles acham que algo é para sempre.&lt;br /&gt;O menos emocional me surpreendeu. Disse que os sentimentos intangíveis são. E que tudo que seja palpável deve ser servido em doses homeopáticas. Outra que passa por uma fase mais conturbada acredita na tradição budista. É adepta da lei da impermanência, que antecipa de forma drástica o certeiro fim.&lt;br /&gt;A mais verborrágica acredita na relação entre pais e filhos, no encantamento e na surpresa. Um que mora longe não expôs argumentos piegas quando revelou acreditar no amor fraterno. Uma das mais amadas por mim quer que bons momentos sejam arquivados para sempre. Ela divide espaço com as lembranças de outra amiga, que disse que as pessoas mudam e o melhor é guardar recortes.&lt;br /&gt;A sétima acha que se é para sempre é um verdadeiro milagre. Outro respondeu: não. Uma que curte música eletrônica – e acho que expande a idéia de amor plural – disse que até o querer dela por alguém é mutante, logo o que existe é movimento. E mover-se provoca cansaço. E a que faz terapia, e não pede uma oportunidade de terapeutizar os mais maleáveis, acha que as coisas feitas em amor possuem vida longa.&lt;br /&gt;Anotei tudo e resolvi eu elencar algumas coisas, que mesmo sem saber se serão eternas, gostaria que fossem.&lt;br /&gt;Minha memória olfativa. O carinho do toque que sentia na pele durante as férias de 2004. As noites lendo poesia e bebendo vinho. A ressaca que não entorpece as vontades do corpo. A boca pastosa em dias de preguiça. As tardes de domingo nas dunas. O frio na espinha de ansiedade. O amor que tenho por minha mãe. O perdão que anunciei ter concedido. Um bicho de pelúcia que ganhei de aniversário e que de quando em vez puxo como se fosse rasgar. Os projetos ambiciosos demais que não arrisco tocar - que continuem sendo só projetos. Uma vida tranqüila. Algumas palavras que foram ditas antes de caírem as lágrimas. A crescente coleção de músicas que acredito que foram feitas pra mim. O relacionamento verdadeiro que construí e solidifiquei em um lar.&lt;br /&gt;Há outras coisas. Mas as guardo em segredo. São ingênuas demais para serem compartilhadas sem vergonha. Quero continuar acreditando que ao menos um desses desejos, mesmo que ao acaso, possa se tornar real. E que meus amigos alcancem a mesma proeza. Até os que clamam por dinamismo, que consigam harmonizar a órbita e o centro estático de duas forças. Do que se é e do que será. “Tudo flui, nada persiste, nem permanece o mesmo. O ser não é mais que o vir-a-ser.” (Heráclito).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-7845413185760116247?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/7845413185760116247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=7845413185760116247&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7845413185760116247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7845413185760116247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/07/para-sempre.html' title='Para sempre'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-6230672307171674364</id><published>2008-07-02T11:42:00.001-03:00</published><updated>2008-07-02T19:53:35.302-03:00</updated><title type='text'>Das linhas e pontilhados (ou traços que anunciam a morte)</title><content type='html'>Era pontilhada. Como reticências. Não a via por sobre a sua cama, mas sabia que estava ali. Uma linha ameaçadora e que se tivesse dedos os apontaria para o seu rosto indagando sobre tudo o que deixou de explicar dentro dos últimos anos.&lt;br /&gt;Apertou seu pulso com força e puxou numa diagonal que de tão certeira rasgou a blusa estampada de cetim ao lado da costura que levava ao braço direito e terminou por arrastá-la para o chão do asfalto quente. Com a pele do rosto rasgada e o ouvido no solo se assustou com o barulho tardio da buzina, uma freada brusca e o choque entre os dois veículos.&lt;br /&gt;Era uma manhã de sol forte. Liara atravessava a rua distraída. Nas linhas aparentemente seguras de uma faixa de pedestre. Ouvia better together, do Jack Johnson, no seu Ipod. Música que lhe colocava em transe e concedia o direito ao sorriso sem disfarces, que capturava as gotas de suor que escorriam de suas têmporas.&lt;br /&gt;Depois da queda ficou inconsciente por dois ou três minutos. Impacto daquela sensação de ser salva por um estranho, que sequer lhe esperara acordar. Queria agradecer pela mão amiga.&lt;br /&gt;Depois do choque de realidade que foi ver a multidão ao seu redor - gente que estava ali por curiosidade e quem sabe até vibrasse contra sua vida só pelo prazer de ver representada diante dos olhos a violência das ruas a que todos estão susceptíveis – teve paragens. Começava a observar os avisos. Os horizontais, dos agravos do mar adiante. Os verticais e os outros que estão ao alcance dos olhos, mas por vezes são ignorados.&lt;br /&gt;Já anoitecera e o gato ronronava por sobre o braço do sofá quando a porta se abriu. Ele chegou com sua maleta preta, os sapatos ainda empoeirados de um barro avermelhado e um apetite que nem de longe parecia com o dela. Enquanto lhe corroia as vísceras um desejo libidinoso, a ele só o estômago preocupava.&lt;br /&gt;Abriu um tinto meio seco. Duas taças. Sugeriu um brinde e ouviu o tilintar, mas nenhum olhar foi lançado em sua direção. Ainda assim, deu o primeiro trago. Seguiu bebendo numa tentativa de conseguir ganhar coragem e ultrapassar a linha que os separava.&lt;br /&gt;Servidos os pratos, sugeriu uma música. Ele aceitou, mas nem tantos acordes poderiam fazê-lo esboçar o que o desejo de Liara pedia. O que existia entre os dois era metade tédio, pelo simples contentamento de ter um abrigo seguro. E na outra metade havia preguiça.&lt;br /&gt;A cama estava vazia quando ela acordou no horário de sempre. Não precisava de despertador. O vento frio batendo do lado direito do seu corpo já era um sinal de que ninguém estava mais ao lado. Fora sem sequer lhe dar um beijo de despedida. Era a rotina do trabalho, da falta de urgência, do conformismo.&lt;br /&gt;Estava do lado certo do quadrado. Na parte que ainda lhe cabia. Sem invadir os espaços foi deixando que a inércia mudasse sua vontade de poder retomar a injeção motora daquela relação. Seu inconsciente refletia o discurso do outro.&lt;br /&gt;Desenganada da vida saiu de casa com uma roupa leve. Foi correr. Pelo esforço, voltava a ter o peito acelerado e o corpo suando. Nas linhas daquela pista seu olhar cruzou com um que tinha a mesma mensagem. E talvez tenha se apaixonado, mas não foi suficientemente forte para alimentar aquela cria.&lt;br /&gt;Em dez dias estavam num mirante, despedindo-se. E pela primeira vez, nos olhos dele viu lágrimas. Ficou inerte, sem coragem de tocar. Era um sentimento vultoso que beirava a margem do admissível, quase se encostando à loucura. Foi por ele que perdeu o controle e se aventurou nos dias em que combinaram de dormir juntos. Por ele também que parou para observar o vulcão, sem sentir medo ou tentar mais fugir.&lt;br /&gt;Mas na paixão não existe segurança. O que sobra é muita expectativa. E dias como os dois separados podem significar o amadurecimento ou simplesmente romper com tudo. Se não é amor a distância se torna um impedimento.&lt;br /&gt;Quando abriu a porta as coisas estavam no mesmo lugar. Mais de um mês havia se passado e tudo o que tinha sido conquistado até ali, permanecia. Liara chorou. Não porque estava sozinha e sentia medo de ter feito as escolhas erradas e logo teria de arcar com a agonia da solidão. Mas era extremamente desconfortável viver dois lutos de uma só vez.&lt;br /&gt;Com as janelas abertas foi inundada por uma tempestade que encobria quase todo o trânsito. Olhou para baixo e se viu no meio da pista, no meio da chuva. Se estivesse novamente ali, mesmo sem conseguir controlar seus impulsos, teria usado o freio e esperado o mal tempo passar antes de seguir seu rumo. No vai e vem frenético do mundo o maior risco ainda é ser atropelado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-6230672307171674364?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/6230672307171674364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=6230672307171674364&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/6230672307171674364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/6230672307171674364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/07/das-linhas-e-pontilhados-ou-traos-que.html' title='Das linhas e pontilhados (ou traços que anunciam a morte)'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-213641758425031944</id><published>2008-06-08T20:29:00.001-03:00</published><updated>2008-06-08T20:36:06.197-03:00</updated><title type='text'>Passando um filme</title><content type='html'>Não deveriam estar juntos. Dentro do cinema, clima romântico, pouca luz, e ele havia acabado de indagar sem palavras o porquê daquele roçado mais forte de pernas. Depois de pouco mais de duas semanas de encontros, percebeu que eles não precisavam ser clandestinos apenas pra si, que tinha um relacionamento paralelo, mas também para Mauro, que se mostrava muito inexperiente, muito amedrontado com pré-julgamentos.&lt;br /&gt;Ele nunca foi um grande fingidor. Havia cometido deslizes. Poucos. Falava mais do que era realmente capaz de fazer. Sentiu-se atraído por outras pessoas por um par de vezes e nelas duas percebeu o mesmo movimento pendular e pulou fora. Era visceral, apenas carne, sexo, excreções. Desejos saciados em poucos minutos gastos em qualquer bueiro pago por hora.&lt;br /&gt;O grande equívoco foi enxergar em Mauro a seta que apontava para a saída de um ostracismo que era involuntário e penoso como um cárcere. Assim o via. Assim queria que ele fosse. O projeto de uma fuga perfeita. Naquele reflexo se inspirou, tocou e sentiu frio. Mesmo assim se apaixonou. Talvez nem fosse pela pessoa, mas pela possibilidade.&lt;br /&gt;Sem controle, tomou cafés, embriagou-se e perdeu o sono por noites seguidas, o que só tornava os dias mais longos, o próximo momento mais distante. Para abreviar sua condição de expectante, tomou a iniciativa de convidar para um almoço. Era íntimo e mostrava a vida muito mais desenhada. Fácil de ser compreendida. Pra que ele se decidisse se era aquilo ou não. E foi.&lt;br /&gt;Não precisava mais pedir permissão. Por isso planejou o day after. O re-encontro esperado com ansiedade. Saíram juntos, dividiram outra refeição, molharam os pés na água, depois o corpo inteiro. Trocaram carinhos e beijos quando o sol já se punha por detrás do vidro que guardava o ar refrigerado e os cheiros. Mesmo protegido por aquele espaço, ele não estava livre para ir tão longe. Não sem se sentir um canalha.&lt;br /&gt;Ser infiel àquela altura era mais grave. Ultrapassava uma questão de estar nos frêmitos roxos de outra carne, cheio de desejo e frivolidades. Passava a cumular outras manutenções. Foi assim que começou a transferir seu carinho.&lt;br /&gt;Pela influência, parecia voltar a ser um adolescente. Acreditando em amor plural, na distribuição logisticamente perfeita do afeto que poderia explicar a entrega impensada a um sentimento agora dividido.&lt;br /&gt;Passava da hora e com a mesma disponibilidade juvenil esqueceu de que era preciso cessar e aceitou o convite par o cinema. Não era pelo filme que poderia lhe arrancar uma risada corriqueira e despertar desejo no outro. Nem por ultrapassar o limite prudencial por causa desse arroubo. Era apenas para estar ao lado. E foi.&lt;br /&gt;Chegaram e apressadamente sentaram-se lado a lado. A película com mulheres frenéticas e comportamentos dissociados em um mesmo grupo, e frases de efeito que deixavam claro não existir qualquer resquício de pudor, em alguns momentos não lhe incomodou. Era capaz de uma nova adaptação, não fosse o episódio no centro da história.&lt;br /&gt;Lá pelo meio do filme, mais uma vez, era carinho aquele gesto de passar a perna na dele com um pouco mais de força. Mauro podia não ter ninguém a quem dar explicações diretamente, mas precisa esconder até a si mesmo do resto do mundo. E, definitivamente, sua companhia não era de assistir a um filme de braços cruzados. Nessa posição eles só servem para amarrotar a roupa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-213641758425031944?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/213641758425031944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=213641758425031944&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/213641758425031944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/213641758425031944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/06/passando-um-filme.html' title='Passando um filme'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-2857158843917979564</id><published>2008-06-05T11:21:00.001-03:00</published><updated>2008-06-05T11:21:44.959-03:00</updated><title type='text'>A música de hoje</title><content type='html'>Nas líricas que ouço guardo impressões dos dias. Nos dias em que só ouço tenho vontade de falar. Uma vontade bestial que pode brotar de uma garrafa de vinho. Ou de uma confidência ao pé da cama. Não tenho preferências. Me Vindo o encorajamento, não me importa o que o motivou. Mesmo sabendo que as confidências me soam como canções. Ao pé da orelha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-2857158843917979564?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/2857158843917979564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=2857158843917979564&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/2857158843917979564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/2857158843917979564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/06/msica-de-hoje.html' title='A música de hoje'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-5242405976102375381</id><published>2008-05-31T12:41:00.000-03:00</published><updated>2008-05-31T12:44:56.557-03:00</updated><title type='text'>Ressalvas</title><content type='html'>Desejos em mim parecem ter vida longa, mesmo que nunca tenha desejado que seja assim. Uma profusão de desejos me amedronta. Por isso que às vezes preciso prostituir as palavras para expressar minhas infâmias.&lt;br /&gt;É mais um dia em que a chuva invade a sacada do meu apartamento. Vejo incólume. A chuva alaga o chão, mancha os vidros e molha as plantas. Tem suas compensações. E, afinal, sempre quis ter uma sacada.&lt;br /&gt;O cansaço do sol incomoda especialmente hoje. Se estivesse mais disposto poderia vencer esse mal tempo. Ao deitar, desejei que o amanhecer fosse claro e com forma de maresia. Receberia em sinal de glória tudo pronto. E com setas apontando o caminho.&lt;br /&gt;Desafortunadamente o tempo é um Zenão. As águas têm mais força. Vencem até mesmo a aspereza das pedras. Só não derrotam o meu desejo. Quero hoje acreditar mais no poeta e em suas profusões. Que os dias são iguais e distintamente belos. Cada um é como é.&lt;br /&gt;Meus desejos têm abundância na alma. E de alma eu só conheço a minha. Quando miro, deixo meus desejos serem percebidos. São sinais com os olhos e com a boca, num ato de mostrar os dentes, antes de morder a língua. Meus desejos são de um homem comum. Sem as pretensões da poesia. Vulgares.&lt;br /&gt;Meus desejos alimentam outros guardados. Também da alma, mas que não revelo. Ressabiado. Tenho motivos. Quanto mais o tempo fecha fica difícil ver a paisagem ao longe. De perto, não sou bom observador. E ademais, sei que há gente que não é honesta com seus desejos, que sorri com falsidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-5242405976102375381?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/5242405976102375381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=5242405976102375381&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5242405976102375381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5242405976102375381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/05/ressalvas.html' title='Ressalvas'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-7682544598893063802</id><published>2008-05-29T11:55:00.000-03:00</published><updated>2008-05-29T11:57:24.159-03:00</updated><title type='text'>Sobre escolhas</title><content type='html'>Ela é uma nau e eu um moinho. Nós dois precisamos de vento. Mas o que me faz girar a afasta de mim. Peço ao tempo que não seja desleal. Mesmo que esse gesto me custe o ócio.&lt;br /&gt;Como moinho, temo ver o mar revolto. Embarcação tão vistosa não pode ficar à deriva. Suas velas não a deixam passar despercebida. Por isso um simples suspiro me faz indagar.&lt;br /&gt;Amarrado a sua proa, noto que não está desapercebida. A precaução me aponta canhões, a ponto de colocar encurralado. Seria justificável ao analisar o rumo dessa empreitada: o descobrimento.&lt;br /&gt;Eu, moinho, tenho o mesmo objetivo. Quero nessa busca encontrar o ponto mais alto e mais verde dessa terra. Ancorar a nave e ali fazer uma estação eólica.&lt;br /&gt;Com ventos movendo minhas pás, produzirei mais energia para lhe ofertar. Pouparei seu desgaste de fazer longas jornadas. Serei companheiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-7682544598893063802?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/7682544598893063802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=7682544598893063802&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7682544598893063802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7682544598893063802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/05/sobre-escolhas.html' title='Sobre escolhas'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-5238724685084662410</id><published>2008-05-28T10:52:00.001-03:00</published><updated>2008-08-13T10:45:59.623-03:00</updated><title type='text'>Reflexos da chuva</title><content type='html'>Quando chove, a natureza dos bichos é se proteger. Outro dia, enquanto chovia, um imbuá descia pelo pano da cortina da minha sala. Seu preto destacava do tecido alvo. Movimentando aquelas dezenas de pernas, parecia estar apressado.&lt;br /&gt;Por causa da chuva, as portas e janelas estavam fechadas. Ademais moro no décimo quinto andar e nem imagino como ele possa ter chegado até aqui. Mesmo sabendo que, quando chove é instintivo, os bichos precisam e quase sempre conseguem se proteger.&lt;br /&gt;A chuva talvez tivesse destruído sua morada, que poderia ter sido construída habilidosamente em um vaso de planta generoso que tenho na varanda do apartamento. Sim, porque a chuva também faz estragos na terra. Cava buracos e transforma em poças de lama todas as casas de minhoca.&lt;br /&gt;Talvez tivesse procurando ajuda de um ser semelhante que por ventura poderia viver em outro vasinho posto nessa minha selva cheia de paredes. Força de outro imbuá, que pudesse resgatar, quem sabe, seus familiares. O alagamento e a vida justificariam a pressa.&lt;br /&gt;Senti-me pequeno demais para interferir no destino daquele imbuá, que fosse para colocá-lo no chão. Acho que ele caminhava nesse sentido. Um pouco afastado, torci por ele. Pra mim, chega a ter cheiro de poesia ser vizinho de uma família de imbuás.&lt;br /&gt;Também na natureza a gente torce com ares de curiosidade. Fiquei olhando até que ele sumiu por detrás do sofá com jeito de montanha. E, na minha imaginação ele conseguiu encontrar animais solidários e salvou seus filhos e companheira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-5238724685084662410?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/5238724685084662410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=5238724685084662410&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5238724685084662410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/5238724685084662410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/05/reflexos-da-chuva.html' title='Reflexos da chuva'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-387844720060364241</id><published>2008-05-26T09:58:00.000-03:00</published><updated>2008-05-26T11:24:03.279-03:00</updated><title type='text'>É dando que se recebe</title><content type='html'>Ela só foi notada quando sua mãe voltava de uma viagem que fez a Fortaleza e o carro em que vinha capotou umas boas vezes. Exames médicos que deveriam dizer apenas se nada havia sido quebrado, encontraram Gigi, protegida pelo airbag da mãe, então com apenas dois meses de gestação.&lt;br /&gt;Condenações. Mas ela nem é casada! Vai perder toda a juventude! Inquietações. Quem vai sustentar essa criança? Será que o pai vai assumir? Como vai reagir seu irmão ciumento? Tantas perguntas que nem poderiam ser respondidas dentro dos poucos meses até ela nascer. A mim a notícia também pegou de surpresa. Era a prima da minha idade com quem eu mais tinha aproximação, que fazia dupla comigo nos concursos de dança inventados na garagem de casa aos doze.&lt;br /&gt;O semestre passou muito rápido e logo Giovanna chegou com a pele morena de uma legítima cabocla, tão informal quanto à denominação do seu cabelo: sarará. Era um verão e meus pais viraram seus padrinhos. Mais um laço e motivo para ela estar sempre no meio de nós.&lt;br /&gt;Seu crescimento é acompanhado por mim apenas nos finais de semana. Sábados ou domingos que sempre me surpreendem. Quando está na companhia da avó seus cachos são domados. Quando a mãe não tem ajuda, a arapuca torna-se indomável. Uma juba que lhe é peculiar. Traça um pouco de sua personalidade. Quiçá por causa dela seja o centro das atenções. Dócil com os seus e arisca com visitas alheias.&lt;br /&gt;Fui um desses intrusos por quase um ano. Tempo em que me dedicara a levantá-la até a altura da minha cabeça, colocando-a com o tronco para baixo e dizendo: faça agora a posição da bailarina. Querendo que ela, antes de gritar, pusesse as pernas para o alto, e porque não, fizesse uma ponta.&lt;br /&gt;Via em seu olhar. Gigi me fuzilava sempre que eu me atrevia a repetir. Ia parar entre as pernas de alguém mais velho que pudesse lhe dar cobertura. Mas ela era tão graciosa e espontânea durante aqueles poucos segundos em que ficava no ar, que terminou seduzindo meus familiares. Todos se divertiam à custa da pequena.&lt;br /&gt;Não tardou a ensaiar poucas palavras. Mas entre os convencionais: papai, mamãe e até vovó, tinha também “tiano” – eu, no caso – e “balarina”. A safada gostava e já fazia doce. E eu a tomava como se fosse preciso usar a força.&lt;br /&gt;Em poucos meses “Xixi” – apelido carinhoso, acredite - ficou mais durinha e seu corpo perdeu um pouco da graça naquele movimento. Ela não só controlava bem as pernas para o alto, como conseguia erguer adestradamente todo o corpo e corria. Evolução acelerada pelo mundo dos adultos.&lt;br /&gt;Ela encontra muito mais os tios que seus filhos ou quaisquer crianças da sua idade. Por isso, de quando em vez sai com uma frase de efeito. Sabe diagnosticar quando tentam lhe enganar e é infinitamente mais esperta do que eu para conseguir doces. No último feriado aconteceu um almoço festivo para celebrar o natalício de sua avó. Fomos todos.&lt;br /&gt;Minha irmã, que acredito ansiar por ter filhos também, bajula a menina o tempo inteiro. A ponto de levar pirulitos na tentativa de arrancar um sorriso. Um me foi ofertado por Gigi. Era envolto por um papel branco e verde claro. Recebi, mas era apenas um. E não pude deixar de pôr a prova seu desprendimento.&lt;br /&gt;Pedi primeiro o segundo. Ganhei outro verde e branco. Depois, queria um amarelo. E ganhei o amarelo. Pedi então o roxo e ela começou a olhar para os lados. Estava no meio de uma roda formada por mesas, cadeiras e muita gente. Enquanto dava um trago da minha bebida, estendeu o roxo em minha direção. Recebi com as mãos e os olhos bem abertos. A essa altura eu tinha três unidades, e ela também.&lt;br /&gt;Pedi o quarto doce. Ela me veio com outro amarelo. Sabia que não iria muito longe e pedi o cor-de-rosa. A psicologia infantil deve explicar o motivo pelo qual as meninas têm essa preferência. A mim, bastava saber que aquele pedido iria ultrapassar a barreira da sua boa vontade. Ela olhou outra vez para os lados. O rosa eu vou chupar, disse tentando defender seu preferido. Insisti. Ganhei apoios. Todos queriam ver até onde ela iria.&lt;br /&gt;Passaram-se uns trinta segundos e ela me deu. Em retribuição, lhe regalei todos os meus. Para segurá-los, ela usava as duas mãos numa reza. E seguiu em direção a minha irmã, que piscava o olho dando a dica. Era como dizer que me entregasse que ela teria ganharia muito mais. E foi assim que sua bolsa se abriu, mostrando um saco repleto de baganas. Já era depois do almoço e todas as guloseimas estavam permitidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-387844720060364241?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/387844720060364241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=387844720060364241&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/387844720060364241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/387844720060364241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/05/dando-que-se-recebe.html' title='É dando que se recebe'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-3120654279881238231</id><published>2008-05-24T21:44:00.001-03:00</published><updated>2008-05-27T08:51:20.399-03:00</updated><title type='text'>Desencontros e re-encontros</title><content type='html'>Era pra ser mais um encontro furtivo, apenas sexo. Por isso, vestiu-se de um de seus personagens. Fantasia que servia de subterfúgio na hora da conquista. Largava mão de ser mais natural e sedutor para barbarizar até sendo julgado pelos olhares mais libertos. Fatalmente deixaria rastro e gosto de bis. No outro, mais.&lt;br /&gt;Ela foi vista ao longe, caminhando no sentido contrário da direção do seu carro. Tinha um estilo juvenil de se movimentar e vestir. Blusa listrada, moderadamente divertida, e jeans. Exalava um frescor que tinha no fundo os tons adocicados de baunilha e crepe de limão. Não poderia ser do tipo que fica por cima e deixa os olhos entreabertos enquanto geme.&lt;br /&gt;Percebendo os faróis, voltou-se para ele e caminhou. Passos ligeiros. Parou adiante. Esperou abrir a janela do carro que tinha um fumê escuro. Vendo que não houve manifestação, segurou bem a maçaneta e levantou. Acabara de ser destravada. Sentou-se. Ao lado, nenhum gesto desejando boas vindas.&lt;br /&gt;Ele estava verdadeiramente incomodado com sua presença. Com sua saúde e vigor. Pensou várias vezes em milésimos de segundo em gritar, expulsando-a. Conteve-se achando que poderia seduzir a jovem, aproveitar-se da sua libido e aumentar a coleção de conquistas.&lt;br /&gt;A garota viajada escolheu um bar de paredes alaranjadas, com dardos, sinuca e uma mesa de poker. Nada mais sentar, pediu uma Stella Artois e propôs um brinde singelo: saúde! E seguiu primeiramente perguntando mais que falando de si. Cercava o território e seguia os passos daquele discurso com ares de emancipação. Sabia atrair as atenções e chegou a ser cortejada por um par de jogadores. Provocou. Mas reações não foram externadas.&lt;br /&gt;A conversa foi regada por mais três garrafas. Depois de duas horas as portas começaram a ser baixadas. A ele faltava coragem de sair dali para um território mais privado, pago por hora de permanência. Entraram outra vez no carro, que girou em círculos pela cidade antes de parar de frente para a portaria do seu prédio, onde aconteceu um beijo clandestino.&lt;br /&gt;Ele rolou na cama espaçosa. Dormiu pouco. E ligou bem cedo. Propôs um novo encontro. Sem armas, sem enfeites. Estava envolvido e tinha ganas de tomar dois tragos de vodka. Sendo ele, só assim se sentiria encorajado para deitar com ela. E o fez. Com corpos postos na horizontal e orvalhados, riram e sujaram os lençóis.&lt;br /&gt;Ela foi deixada no portão. Não o beijou, nem ligou depois. E, tratado como um corpo, ele sentiu-se vitorioso pela primeira vez. Descobriu que o desejo maior de um corpo é tão somente ser abraçado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-3120654279881238231?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/3120654279881238231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=3120654279881238231&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/3120654279881238231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/3120654279881238231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/05/desencontros-e-re-encontros.html' title='Desencontros e re-encontros'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-1017062354472049709</id><published>2008-05-22T11:22:00.001-03:00</published><updated>2008-05-22T11:22:32.190-03:00</updated><title type='text'>Os últimos dois anos e meio da vida de Fernando</title><content type='html'>Primeiro acreditou. Amou sem titubear. Teve medo. Foi traído. Descobriu. Perdoou. Não esqueceu. Enfrentou. Caminhou. Sempre lado a lado. Foi traído. Malogrado. Descobriu. Trancou-se. Quis terminar. Não entendeu. Aceitou. Preparou o café. Levou com cuidado. Chorou pitangas. E passou a ter mais zelo. Foi traído. Descobriu. Decidiu terminar. Deixou passar o tempo. Enxergou novas possibilidades. Provou delas. Gostou delas. Gozou delas. Enjoou delas. Dispensou-as. Viu seu desejo cruzar o semáforo. Com luvas e guarda-chuvas. Cortou o sinal. Encostou ao lado. Fez novas experimentações. Aos poucos. Trancou-se numa redoma. Perdeu o tempo. Tornou-se vulnerável. Acelerou. Esqueceu o breque. Entregou-se. Foi traído. Descobriu. Perdeu qualquer resquício de moralidade. Age como um fescenino. Seu corpo pede trégua. Quer massagens. Mensagens. Sinais. Consegue sempre. Realiza-se com a paisagem. Frisa. Grava. Ganha o dia por apenas um momento. Todos os dias. Fica satisfeito com pouco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-1017062354472049709?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/1017062354472049709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=1017062354472049709&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/1017062354472049709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/1017062354472049709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/05/os-ltimos-dois-anos-e-meio-da-vida-de.html' title='Os últimos dois anos e meio da vida de Fernando'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-827005165015054513</id><published>2008-05-20T19:16:00.000-03:00</published><updated>2008-05-20T21:52:59.397-03:00</updated><title type='text'>Bem de perto</title><content type='html'>Só tem duas coisas que eu odeio mais que inhame. Comer inhame pela manhã ou comer inhame com ovo frito pela manhã. Mas minha mãe chegou hoje no meu apartamento com duas rodelas generosas e o argumento de que ela e meu pai, que fazem o desjejum todos os dias com esse banquete, não pegam sequer gripe há tempos.&lt;br /&gt;Ela deve estar vivendo uma parada alternativa. A medicina oriental é que vêm defendendo o inhame para fortificar os gânglios linfáticos, os postos avançados de defesa do sistema imunológico.&lt;br /&gt;Por primeiro tive de me recompor do susto que foi vê-la se movimentando pela casa às sete da manhã, enquanto eu cantarolava pelo corredor dos quartos em direção à cozinha. Imaginava minha tapioca com queijo de coalho, bem amanteigada. Depois, fingi ter comprado aquela idéia de saúde e bem estar.&lt;br /&gt;Dona Nize guarda uma técnica antiga. Quando ela sabe que a escalada vai ser difícil trata de vir munida com cordas, fitas tubulares, cordeletes de cinco milímetros de diâmetro, mosquetões com rosca, botas, costura e de quebra um regalo tipo uma bandejinha com fundo de azulejo pintado à mão da última viagem. É assim desde que eu dei meu primeiro berro. Ponto pra ela que tem conseguido me dobrar com tanta astúcia.&lt;br /&gt;Inspecionou os ambientes mais cercanos como a área de serviço e a dispensa. Apontou falhas de limpeza e organização bem na frente de Lucimar e chegou a reclamar da quantidade de manteiga colocada na frigideira. Nesse aparte tive de concordar que se ela vem fazendo isso há pelo menos um mês eu já devo estar gozando meus últimos dias, com o colesterol aos picos.&lt;br /&gt;Foi-se depois que eu sentei para começar a comer. Mas não sem antes anunciar sua chegada amanhã , quando virá para ensinar a fazer o melhor filé ao molho madeira que eu já provei, com não sei que quantidade de suco de laranja e vinho de uva syrah.&lt;br /&gt;Que salada! Ou seria cilada? Sim, sim. Em todo caso, essa história vai continuar. E qualquer semelhança com o post anterior não é mera coincidência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-827005165015054513?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/827005165015054513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=827005165015054513&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/827005165015054513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/827005165015054513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/05/bem-de-perto.html' title='Bem de perto'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-7171436633391975316</id><published>2008-05-19T20:28:00.000-03:00</published><updated>2008-05-20T21:51:41.441-03:00</updated><title type='text'>Como um patriarca</title><content type='html'>Invertemos os papéis. Não que meus pais hoje sejam meus filhos. Nem que eu tenha de me preocupar com o plano de saúde deles. Mas, há pouco mais de um mês minhas atenções se voltaram para a vida dos que moram distante duas ruas do meu apartamento.&lt;br /&gt;Naquela casa onde passei minha infância, minha adolescência e onde, mesmo havendo harmonia familiar, percebi o quão é difícil aprender a viver em sociedade, hoje sobra muito espaço. E nem é apenas físico.&lt;br /&gt;Há uns quatro anos, quando deixei de dormir e debaixo daquele teto, resistiam ali mais dois irmãos – que inclusive se parecem bem mais que qualquer deles a mim. Naquela época, minha rotina é que havia sido mais afetada. Tive de aprender a conviver com o silêncio, momentos em que me deparei sozinho com minha consciência e passei a me analisar e até condenar. Penas leves, claro. Eu aprendo fácil.&lt;br /&gt;No meu espaço aprendi também a aproveitar bem cada ambiente. Como reflexo, até hoje não consigo conjecturar a possibilidade de voltar a ter uma televisão no quarto. Acho que é uma violência tão grande quanto ter um microondas em cima do criado mudo. Enfim, é pra isso que existem as cozinhas, salas etc.&lt;br /&gt;Meus pais e meus irmãos mantiveram a mesma logística. De quando em vez tomavam café da manhã em horários distintos. Meu irmão mais novo esporadicamente sentava ao redor da mesa na hora do almoço. Comia o que ninguém tinha no prato. Cada um regulava seu jantar, graças às aulas, saídas noturnas e sem-vergonhices.&lt;br /&gt;Botando banca, com ares de independência saindo pelas ventas, sempre acreditei que só poderia ir lá quando fosse convidado. Aquela não era mais minha casa, apesar de ter as chaves das portas no meu mói até hoje. Passei a comer em restaurantes rápidos e ganhei de quebra uns bons seis quilos. É aquela história, muita variedade, olho gordo.&lt;br /&gt;Minhas visitas aconteciam mais na hora do almoço. Sempre foi conveniente, afinal é bom sentir o tempero da mama e, de quebra, ver todos de uma vez. Importante também participar das discussões que acontecem nesse momento. De um se meter na vida do outro por simples bem querer ou por hábito, por liberdade.&lt;br /&gt;No veraneio também não tenho tipo muito como privar da companhia dos meus. Trabalhos e outras atividades inviabilizam a corrida para o litoral. De modo que passado o carnaval, fui a um desses almoços festivos. Minha irmã de casamento marcado. E dali a pouco, um mês depois, seu nome já tinha aumentado.&lt;br /&gt;Minha mãe passou a me ligar mais. Como apenas dois quarteirões nos separam, aparecer por lá está mais fácil. Mas meu pai tem prolongado os papos ao telefone também. E quando me vê puxa uns assuntos estranhos, incomuns nesses mais de 20 anos.&lt;br /&gt;No último final de semana eles ligaram pra me avisar que fariam uma viagem. Saíram quando tudo estava escuro, na quarta e a volta estava programada para o domingo. Era o casamento de uns amigos em São Luís.&lt;br /&gt;Na sexta recebi outra ligação. Meu pai estava preocupado com o cachorro de 14 anos, caçula da família. Ele ficara só com meu irmão que mal cuida de si. Não devia ter água, tampouco comida. E a casa, com montes de caca e manchas de mijo.&lt;br /&gt;Deixei um par de compromissos de lado para averiguar a situação, completamente outra, diga-se. O bicho não havia tocado na ração, nem bebido. Sem condições de qualquer excreção, óbvio. Trouxe-o para almoçar comigo, ele do lado da mesa, pulando no nosso colo, como sempre foi.&lt;br /&gt;No meio da refeição, o telefone tocou outra vez. Meu irmão deu falta do Jheepy. Ligou para o meu pai num impulso - se tivesse parado pra pensar jamais faria isso por receio de perder o saco, enfim – e por isso o meu celular estava aos berros. Fiquei um pouco incomodado com tanta preocupação. Trouxe-o comigo, disse, completando que estava de saída para o trabalho e o deixaria de volta. Assim foi.&lt;br /&gt;Tive uns minutos de responsabilidade sobre o estado emocional dos meus pais. Quando o ponteiro do relógio alcançou às seis horas da manhã do domingo estava eu passeando com o cachorro pela praça. Tive um pouco de dor de cabeça. Acho que de tanto gritar, já que pela idade ele está com a visão, o olfato e a audição prejudicados. Mas acompanhei com toda a paciência. Assim, cuidei do meu pai, que deve ter ficado mais sossegado e de minha mãe, que, sem ouvir queixas, provavelmente curtiu mais os dias fora.&lt;br /&gt;Restabelecida a rotina, não me sai da cabeça a idéia de que eles estão tendo dificuldades em exercitar o desapego. Filhos os criam para o mundo. Mesmo sabendo que olhares analisam a mesma situação de formas diferentes, com mais ou menos experiência. Quiçá netos amenizassem esse problema. Pode estar por vir mais uma cobrança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-7171436633391975316?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/7171436633391975316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=7171436633391975316&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7171436633391975316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7171436633391975316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/05/como-um-patriarca.html' title='Como um patriarca'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2035895852734277273.post-7070222601955084084</id><published>2008-05-18T12:19:00.000-03:00</published><updated>2008-05-18T19:46:58.670-03:00</updated><title type='text'>Primeira parcial</title><content type='html'>Acordo novamente às seis horas da manhã e chego rapidamente à conclusão de que estou velho. A mesma cena se repete há mais de um mês. É como se eu tivesse a idade do meu pai e a falta de disposição de sair para tomar uma cerveja com meus amigos num dia qualquer, ou mesmo em um final de semana.&lt;br /&gt;Lucimar já está acordada e me prepara um café. Hoje prefiro com leite e o bebo de frente para o computador. É como uma necessidade de auto-afirmação. De um ser que é diferente do seu genitor, que ainda lê o jornal sentado no sofá. Mudando apenas o canal parece que me vêm um ar de modernidade.&lt;br /&gt;Mas nessa manhã, as notícias não chegaram até a máquina que agora uso para escrever esse registro. Nenhuma informação importante de fora do meu mundo de alguns metros quadrados onde me protejo dos temporais e quaisquer outros fenômenos climáticos. Assim espero.&lt;br /&gt;A assinatura do serviço de internet está paga. O provedor idem. Tudo nos conformes não fosse o teclado do computador que amanheceu, para meu desconforto, com funções estranhas. Números ao invés de letras, o que me impedia de digitar corretamente a direção do sitio a localizar no espaço virtual.&lt;br /&gt;Ligo para o Marcelo – um amigo que não sei como, consegue acompanhar as novidades tecnológicas com sede. Ligo imediatamente sempre que acontece algum desentendimento entre mim e o meu portátil. Em outra circunstância tal gesto poderia ser interpretado como tráfico de influências, já que, não conseguindo manter um bom diálogo, por vezes o trato como se ele tivesse de funcionar como um funcionário público. Mesmo sabendo que ele faz corpo mole e, pra me provocar, trava. Eu exijo sempre mais.&lt;br /&gt;Ainda há o agravante desse benefício não servir apenas a mim, mas também ao meu subordinado, o que poderia, num julgamento nos aumentar a pena de reclusão - distanciamento vá lá! – da metade. Mas, enfim, desse modo convivemos.&lt;br /&gt;Pacientemente meu amigo-técnico-conselheiro pediu para que eu reinicializasse – começamos sempre com o óbvio. Não deu certo, lhe disse, completando que se fosse tão simples eu mesmo teria resolvido.&lt;br /&gt;Então vá até o painel de controle, depois escolha opções regionais e de idioma. Vai abrir outra janela. Está vendo a aba idiomas?&lt;br /&gt;Sim.&lt;br /&gt;Escolha ela, clique em detalhes e me diga o que aparece em idioma de entrada padrão.&lt;br /&gt;Inglês – Estados Unidos (internacional).&lt;br /&gt;Seu note book tem a tecla ç?&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;Então vamos reconfigurar, disse num tom de diagnóstico.&lt;br /&gt;Mais alguns procedimentos e adicionamos e excluímos alguns serviços de texto e de teclado. Entrou Brasil (ABNT) e mais uma vez Estados Unidos (internacional). Depois de aplicar, por recomendação, reiniciei outra vez.&lt;br /&gt;Não deu certo. E agora? Tem alguma outra opção?&lt;br /&gt;Vamos ver se você fez tudo certo. Seu computador é um Vaio?&lt;br /&gt;É, respondi.&lt;br /&gt;Vou pegar então o meu, que é da mesma marca e deve estar configurado corretamente.&lt;br /&gt;Fizemos mais umas quatro tentativas dentro do tempo de aproximadamente uma hora. Exausto, tendo ingerido mais duas xícaras com cafeína e quase em estado depreciativo, reclamei. Olha, ontem desliguei esse computador normalmente e parece que ele tem vida própria, amanhece o dia com enxaqueca. É temperamental demais pra mim. Já tentei digitar várias palavras e percebi que o problema atinge principalmente as vogais, que viraram números, comentei displicentemente.&lt;br /&gt;Que vogais?&lt;br /&gt;Deixe-me ver. Bom, o a é a mesmo. O e é e. O i agora é o cinco. O o, seis e o u, quatro.&lt;br /&gt;No seu teclado tem uns números bem pequenos no canto direito de cada uma dessas teclas que você acabou de me dizer?&lt;br /&gt;Pode parecer um contra-senso, mas eles estavam gravados em um amarelo discreto que ficava praticamente camuflado com o cinza do teclado. Sem meus óculos – que foram furtados juntamente com minha bolsa, outro dia enquanto trabalhava – quase encostei o nariz para conseguir ver os tais números. Tem sim, Marcelo, falei.&lt;br /&gt;Então provavelmente você vai encontrar uma luz verde acesa perto de um número um, que fica dentro de um desenho que parece uma bolsa, no canto esquerdo, perto da saída de som. Olhei rapidamente e vi.&lt;br /&gt;Gosto de precisão.&lt;br /&gt;Agora procure na parte de cima uma tecla com as iniciais Num Lk. Você só precisa apertar lá.&lt;br /&gt;Pela vigésima vez, procedi como me orientou.&lt;br /&gt;A luz verde apagou?&lt;br /&gt;Depois de um período de vacância, demorei uns cinco segundo para conseguir pronunciar, entre gaguejos, a extensa palavra de uma única sílaba: sim.&lt;br /&gt;Agora veja se tudo funciona, disse do outro lado da linha.&lt;br /&gt;Precisei de mais tempo para ver que funcionava, acreditar que funcionava, me perguntar se aquela uma hora perdida me faria falta, como deveria reagir para que não parecesse irracional, abstrair minha perplexidade. Repeti: sim.&lt;br /&gt;Ouvi uma gargalhada e tive vontade de cortar os pulsos em asterisco. Ele se divertiu com a situação. Desligamos e decidi não mexer mais naquilo por 24 horas. Teria de me dar um espaço. Tipo recuperação. Saí arfando.&lt;br /&gt;Preciso encontrar uma forma de criar alguma aproximação com esse universo tecnológico ou vou acabar, na verdade, como o meu avô, que pra mim é um grande exemplo de raciocínio lógico jogando buraco. Mas que não tem interesse, e, por conseguinte, nem iniciativa de tentar ampliar seu leque de relacionamentos.&lt;br /&gt;Eu e meu computador já nos desentendemos outras vezes. Sempre quando eu mais preciso dele. Nessas ocasiões travamos verdadeiras disputas. Fazendo uma parcial, estou como o América na segunda divisão. Perdendo sempre e com receio de ser rebaixado outra vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2035895852734277273-7070222601955084084?l=cricofelix.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cricofelix.blogspot.com/feeds/7070222601955084084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2035895852734277273&amp;postID=7070222601955084084&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7070222601955084084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2035895852734277273/posts/default/7070222601955084084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cricofelix.blogspot.com/2008/05/primeira-parcial.html' title='Primeira parcial'/><author><name>Cristiano Félix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00512934591114689421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_Rfj43QRLUew/SDBNPlpbr7I/AAAAAAAAAAQ/oq03sW-_-HI/S220/DSC04281.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
